Atentos à China, Japão e Vietnã assinam acordo militar de cooperação de defesa

Acordo de cooperação militar deve ampliar segurança marítima no Mar da China Meridional
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Japão e Vietnã assinaram no sábado (11) um acordo de cooperação para a exportação de equipamento e tecnologia de defesa japonesa para Hanói. De acordo com matéria da Associated Press (AP), a parceria foi intensificada devido a preocupações com a crescente influência militar chinesa.

Com os países aprofundando laços, o ministro de Defesa do Japão, Nobuo Kishi, disse que a resolução eleva “a um novo nível” a parceria de segurança, que ocorrerá por meio de exercícios conjuntos multinacionais. Os detalhes sobre a concessão de equipamento bélico, como navios de guerra, ainda serão alinhados em reuniões futuras, acrescentou a autoridade japonesa.

Kishi esteve com o ministro de Defesa vietnamita Phan Van Giang na capital do país do sudeste asiático no mesmo período em que o líder do Ministério das Relações Exteriores da China, Wang Yi, esteve em visita oficial de dois dias. Ao término de sua agenda diplomática em Hanói, Yi anunciou que seu país tem a intenção de doar 3 milhões de doses de vacina contra a Covid-19 ao Vietnã.

O ministro da Defesa do Japão, Nobuo Kishi (Foto: Wikimedia Commons)

Segundo a agência catari Al Jazeera, o ministro chinês ainda abordou um assunto delicado ao dizer que China e Vietnã devem se abster de qualquer ação unilateral em relação ao Mar da China Meridional que possa complicar a situação e aumentar as divergências.

Por que isso importa?

O aperto de mãos entre japoneses e vietnamitas ocorreu 15 dias depois de uma viagem ao Vietnã da vice-presidente dos Estados Unidos Kamala Harris, em uma missão que também visou ao estreitamento das relações. Em sua passagem, Harris recomendou aos países para que enfrentem o que classificou como bullying chinês no Mar do Sul da China.

O Ministério da Defesa do Japão disse que Kishi e Giang estão de acordo sobre a importância de manter a liberdade de navegação e sobrevoo na região do Indo-Pacífico, além de cooperarem em diversas áreas de defesa, entre elas a segurança cibernética.

A atividade de barcos pesqueiros chineses nas proximidades das ilhas Senkaku, Mar da China Oriental, tem aumentado o atrito entre Tóquio e Beijing. O Japão também manifesta frequente descontentamento com a presença da guarda costeira chinesa perto do arquipélago que, embora esteja sob controle japonês, é reivindicado pela China.

Embarcações da China são constantemente vistas na região, uma forma de o governo chinês pressionar os japoneses em meio à disputa territorial. Diante dessas frequentes invasões, a Guarda Costeira japonesa anunciou em agosto que deve ampliar a vigilância nas águas disputadas com uso de drones.

Kishi expressou a forte oposição do Japão a “qualquer tentativa unilateral de mudar o status quo por meio de coerção ou quaisquer atividades que aumentem as tensões”.

O Vietnã é a 11ª nação com a qual o Japão assina um acordo de transferência de tecnologia e equipamentos de defesa. Tóquio está procurando expandir a cooperação militar para além de seu aliado de longa data, os Estados Unidos, e assinou acordos semelhantes com a Grã-Bretanha, Austrália, Filipinas e Indonésia.

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