Américas

China contesta aproximação comercial entre Estados Unidos e Taiwan

Desafiando a vontade da China, Taiwan e EUA se aproximam e discutem laços comerciais em reunião nesta quarta

A China não recebeu nada bem as notícias de que Estados Unidos e Taiwan negociam um acordo de livre comércio. Beijing se opõe a qualquer aproximação entre os dois países, pois considera a ilha parte do seu território. Alheios ao descontentamento chinês, Taipé e Washington discutem interesses mútuos em reunião do conselho do Tifa (Acordo-Quadro de Comércio e Investimento, da sigla em inglês), nesta quarta-feira (30), por videoconferência.

“A China sempre se opôs a qualquer tentativa dos EUA de elevar as relações ou se envolver em interações oficiais com Taiwan de qualquer forma”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês Zhao Lijian à emissora VOA (Voice Of America).

Taiwan é o décimo maior parceiro comercial dos Estados Unidos (Foto: Ethan Lin/Unplash)

No começo do mês, Lijian já havia endereçado um comentário pouco diplomático a Washington, segundo a agência qatari Al Jazeera. À época, ele recomendou “interromper qualquer forma de intercâmbio com Taiwan, tratar a questão com cautela e abster-se de enviar quaisquer sinais errados às forças de independência [da ilha]”. Mesmo assim, os EUA enviaram 2,5 milhões de doses de vacina contra a Covid-19 aos taiwaneses.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores de Taiwan disse que a ilha continuará sua estreita relação econômica e comercial com os EUA, “explorando ainda mais a cooperação em áreas de interesse mútuo através de conversações no âmbito do TIFA”.

“Taiwan é uma das principais democracias, uma grande economia e um parceiro de segurança. Estamos comprometidos com a importância das relações comerciais e de investimento entre os EUA e Taiwan”, disse Jen Psaki, porta-voz da Casa Branca, na segunda-feira.

Tensão se alastra

As tensões geopolíticas escalam com rapidez no Estreito de Taiwan. A China endureceu sua retórica contra as reivindicações de independência da ilha autônoma no ano passado, depois que o governo taiwanês se aproximou dos EUA.

Desde então, jatos e caças chineses passaram a realizar exercícios militares nas regiões limítrofes com Taiwan enquanto Beijing deixou claro que não aceitará a independência do território “sem uma guerra”.

Enquanto isso, China e EUA disputam o duelo comercial, financeiro e tecnológico que se acentuou por conta da pandemia. O crescente embate pode não terminar em confronto militar, como muitos especulam. Especialistas sugerem que o mais provável seria um bloqueio chinês à ilha, com cortes dos tráfegos aéreo e naval e das redes de informação.