Guerra no Irã vira desculpa pra Kim Jong-un ampliar arsenal nuclear

Líder norte-coreano afirma que ataques no Oriente Médio reforçam necessidade de arsenal atômico e eleva tensão com os Estados Unidos e a Coreia do Sul

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, voltou a defender a expansão do arsenal nuclear do país ao citar a guerra no Oriente Médio como justificativa estratégica. Em discurso no parlamento, ele afirmou que os recentes ataques ao Irã demonstram que apenas uma forte capacidade militar pode garantir a segurança nacional diante da pressão internacional. As informações são do The New York Times.

Segundo a mídia estatal norte-coreana, Kim declarou que os bombardeios realizados por Estados Unidos e Israel no mês passado reforçam sua decisão de ampliar o programa nuclear, mesmo sob sanções. Para o regime, o cenário global atual evidencia a necessidade de autossuficiência militar e econômica.

Kim Jong-un aguarda o presidente da Rússia Vladimir Putin no Aeroporto Internacional de Pyongyang Sunan em junho de 2024 (Foto: WikiCommons)

O discurso foi realizado na Assembleia Popular Suprema, em Pyongyang, considerada um órgão legislativo simbólico. Na fala, o líder também reafirmou a postura hostil em relação à Coreia do Sul e destacou que o fortalecimento nuclear tem como objetivo dissuadir Washington.

Kim relembrou ainda o fracasso das negociações com o presidente Donald Trump em 2019, apontando o episódio como um marco para acelerar o desenvolvimento de armas nucleares. Desde então, o regime intensificou a produção de ogivas e ampliou seu arsenal de mísseis.

Sem citar diretamente o Irã, o líder norte-coreano criticou o que chamou de “agressões dos Estados Unidos ao redor do mundo”, afirmando que tais ações justificam plenamente a manutenção de um programa nuclear robusto. Ele também declarou que a segurança proporcionada por essas armas contribui para o desenvolvimento econômico interno.

A Coreia do Norte sustenta há anos que países que abriram mão de seus programas nucleares, como os liderados por Muammar Gaddafi e Saddam Hussein, acabaram vulneráveis a intervenções externas.

Historicamente, Estados Unidos e aliados alternaram sanções e tentativas diplomáticas para conter o avanço nuclear norte-coreano, sem sucesso. Mais recentemente, Trump voltou a demonstrar interesse em retomar o diálogo, mas Kim condiciona qualquer negociação ao reconhecimento formal da Coreia do Norte como potência nuclear.

O novo posicionamento aumenta a tensão geopolítica e reforça o papel do programa nuclear como peça central na estratégia do regime de Pyongyang.

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