Índia aposta em terras raras e data centers para fortalecer indústria em meio a tensões globais

Orçamento de 2026-27 prevê gastos recordes em infraestrutura, incentivos fiscais até 2047 e foco em setores estratégicos como semicondutores e minerais críticos

O governo da Índia anunciou uma série de medidas para impulsionar a indústria nacional no orçamento de 2026-27, com foco em setores estratégicos como terras raras, semicondutores e centros de dados. As iniciativas ocorrem em um cenário de aumento das tensões geopolíticas globais e de impacto crescente das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre exportadores indianos. As informações são da BBC.

Apresentado pela ministra das Finanças, Nirmala Sitharaman, o orçamento prevê aumento dos gastos com infraestrutura e defesa, ao mesmo tempo em que reforça a disciplina fiscal. A expectativa oficial é que a economia indiana encerre o atual ano fiscal com crescimento de 7,4% do Produto Interno Bruto (PIB), embora a projeção para o próximo ano indique uma desaceleração moderada.

Vista do edifício do Data Center da SIFY, um dos principais provedores de serviços de data center e colocation na Índia (Foto: WikiCommons)

Entre os principais destaques está a elevação de cerca de 9% no investimento de capital, que passará para 12,2 trilhões de rúpias a partir de abril. Projetos rodoviários, ferroviários e portuários seguem como prioridade do governo de Narendra Modi, que vê na infraestrutura um motor de crescimento econômico e geração de empregos.

O orçamento também aposta na ampliação da produção em sete setores estratégicos, incluindo minerais de terras raras, semicondutores, têxteis e data centers. O governo anunciou a criação de corredores exclusivos para a exploração de terras raras em estados do sul e do leste do país, além do lançamento de uma nova missão nacional de semicondutores, com investimento de US$ 436 milhões.

No setor de tecnologia, a Índia propôs uma isenção fiscal até 2047 para empresas estrangeiras de computação em nuvem que invistam em centros de dados no país. A medida busca atrair capital de longo prazo para um setor intensivo em investimentos e já aquecido, que recebeu anúncios bilionários de empresas globais nos últimos anos.

Rodovia Nacional 16 perto de Bhimadole, Eluru, em foto de 2024 (Foto: WikiCommons)

Apesar dos incentivos a setores específicos, o governo não anunciou novos cortes no imposto de renda das pessoas físicas. A decisão reflete o esforço de contenção fiscal após ampliação das isenções no ano passado e ajustes no Imposto sobre Bens e Serviços (GST).

A partir de 2026, a política fiscal indiana passará a priorizar a relação dívida/PIB em vez de uma meta rígida de déficit anual. A meta oficial é reduzir essa proporção para cerca de 50% até 2030-31, o que, segundo economistas, pode dar mais flexibilidade ao governo para investir sem comprometer a estabilidade macroeconômica.

Mesmo com sinais de responsabilidade fiscal, os mercados reagiram negativamente ao aumento do Imposto sobre Transações de Valores Mobiliários, provocando queda nas bolsas no dia da apresentação do orçamento.

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