Ásia e Pacífico

Líder interino do Quirguistão tenta mudar lei para assumir em definitivo

Pela Constituição, presidente interino é proibido de concorrer às eleições; Japarov liderou protestos contra Jeenbekov

Os protestos e a renúncia do então presidente Sooronbai Jeenbekov, na última quinta (15), podem afetar também a Constituição do Quirguistão. Nesta segunda (19), o presidente interino, Sadyr Japarov, afirmou que pretende corrigir a lei para assumir o governo em definitivo.

Na Constituição atual, o presidente interino é proibido de concorrer a mandato executivo. “O Parlamento está preparando emendas às leis que regem as eleições presidenciais e parlamentares”, disse Japarov ao canal Rússia 24. “Se as emendas permitirem, concorrerei”.

Libertado da prisão durante os protestos, Jarapov era um dos líderes oposicionistas durante os protestos após as eleições parlamentares, realizadas em 4 de outubro.

Interino do Quirguistão tenta mudar lei para assumir poder em definitivo
O presidente interino do Quirguistão, Sadyr Japarov (esquerda), em reunião para a mudança da constituição em 19 de outubro de 2020 (Foto: Twitter/Sadyr Japarov)

No pleito, apenas quatro dos 16 partidos do país alcançaram o mínimo de 7% dos votos para ingressar no Parlamento. Duas siglas tinham laços estreitos com Jeenbekov: o Birimdik e o Mekenim, ambos alvos de protestos anticorrupção.

Com suspeitas de compra de votos e baixa popularidade, Jeenbekov foi forçado a deixar o poder após os levantes. Ex-integrante da União Soviética, a nação da Ásia Central de pouco mais de 6,5 milhões de habitantes testemunhou a renúncia de três presidentes desde 2005.

Próximos passos

Como primeiro-ministro e presidente interino do Quirguistão, Japarov deve supervisionar uma nova eleição parlamentar e a escolha de um novo presidente.

O líder, no entanto, já nomeou o seu aliado mais próximo, Kamchybek Tashiyev, como chefe de segurança do Estado, informou a Reuters.

Alinhado com a Rússia – responsável pela maior parte dos investimentos no país –, Japarov já descartou a revisão de qualquer acordo bilateral com Moscou. “Nossos laços com a Rússia são multifacetados e não podemos estar distantes em termos de geopolítica, cooperação militar ou economia”, disse.