A mais recente purga promovida por Xi Jinping na liderança militar da China reacendeu alertas dentro e fora do país sobre a estabilidade do Exército de Libertação Popular (ELP) e os possíveis desdobramentos para Taiwan. A investigação contra o general Zhang Youxia, até então o militar de mais alta patente abaixo do presidente chinês, marca uma das maiores reconfigurações já vistas na Comissão Militar Central. As informações são da Associated Press.
O Ministério da Defesa confirmou que Zhang está sendo investigado por “graves violações da disciplina e da lei”, ao lado do general Liu Zhenli, responsável pelo Departamento do Estado-Maior Conjunto. Com isso, a comissão, órgão máximo das Forças Armadas chinesas, passa a operar com apenas um de seus seis membros em atividade, além de Xi, que preside a estrutura.

Especialistas avaliam que, embora os impactos imediatos ainda sejam incertos, a mudança representa mais um passo na consolidação do controle político de Xi sobre o aparato militar. Desde que assumiu o poder, em 2012, o presidente chinês transformou o combate à corrupção em um dos eixos centrais de sua estratégia, resultando na punição de mais de 200 mil funcionários públicos e militares.
Analistas também apontam que a purga vai além da corrupção e está diretamente ligada à lealdade política dentro das Forças Armadas. Nos últimos meses, outros nomes importantes da cúpula militar já haviam sido afastados, reforçando a percepção de que Xi busca eliminar qualquer foco de poder paralelo.
O efeito sobre Taiwan é um dos pontos mais sensíveis dessa equação. A China considera a ilha parte de seu território e não descarta o uso da força para retomar o controle. Recentemente, Beijing intensificou exercícios militares ao redor da ilha semiautônoma, especialmente após anúncios de vendas de armas dos Estados Unidos ao governo taiwanês.
Para alguns analistas, a instabilidade no alto comando pode reduzir a capacidade de uma ação militar no curto prazo, diante de uma cadeia de comando em reorganização. No entanto, no longo prazo, a leitura é oposta: um Exército mais alinhado a Xi, menos fragmentado internamente e potencialmente mais eficiente.
Apesar das incertezas, especialistas não veem sinais claros de perda significativa da prontidão de combate do ELP. A avaliação predominante é que a purga faz parte de um projeto mais amplo de fortalecimento institucional, ainda que com custos políticos e estratégicos temporários.
O futuro da Comissão Militar Central segue indefinido. Não há indicação oficial de quando os cargos vagos serão preenchidos, e a expectativa é que Xi possa aguardar até o próximo Congresso do Partido Comunista, previsto para 2027, para promover uma recomposição completa da liderança militar.