Ásia e Pacífico

Twitter volta a bloquear usuários na Índia após ameaças do governo

Governo Modi exige suspensão de contas que divulgam os protestos dos agricultores nos arredores de Nova Délhi

O Twitter voltou a bloquear contas de usuários da Índia nesta quarta (10). A rede social afirmou que manteve a suspensão depois que o governo indiano ameaçou processar a empresa por não remover “conteúdos inflamados”.

Em seu blog, a rede social afirmou que a Índia ameaçou multar ou prender os executivos do Twitter se não obedecessem as ordens do governo.

No último dia 4, o Twitter revogou um bloqueio contra mais de 250 contas, horas depois de suspendê-las por ordem direta de Nova Délhi. O governo de Narendra Modi tenta extinguir os protestos de agricultores que ganharam força nos arredores da capital indiana.

Twitter volta a bloquear usuários da Índia após ameaça do governo
Conta oficial do Twitter em maio de 2012 (Foto: Christopher/Reprodução)

Desta vez, o Twitter afirmou que bloqueará as contas apenas dentro do território indiano. A suspensão não incluirá jornalistas, veículos de imprensa, ativistas e políticos. “Fazer isso violaria o direito fundamental à liberdade de expressão previsto na lei indiana”, disse a nota.

O Twitter não mencionou quantas contas indianas seriam afetadas pela suspensão, mas apontou que mais de 500 usuários foram notificados pelo Ministério de Tecnologia da Informação indiano.

Uma fonte do governo indiano disse ao jornal “The Wall Street Journal” que o Twitter bloqueou 126 das 257 contas solicitadas até a última terça (9). Outra autoridade afirmou que mais de 1,1 mil contas foram identificadas como “ameaças potenciais à ordem pública”.

Bloqueios aos apps

Analistas já comparam as ameaças ao Twitter com a tensão que culminou na proibição do aplicativo chinês TikTok na Índia. “Estamos dando ao Twitter espaço para fazer negócios na Índia, não para administrar a democracia”, disse um funcionário.

Gigantes da tecnologia dos EUA, como Facebook, Google e Amazon, já investiram bilhões de dólares na Índia. O país é considerado um mercado fortíssimo em potencial, graças à sua população de 1,3 bilhão.

No vácuo do Twitter, o aplicativo indiano Koo já se posiciona para tomar seu lugar. A plataforma, lançada em março de 2020, já soma cerca de três milhões de usuários – incluindo altos líderes do governo.