Unesco pede investigação de assassinato de jornalista por militares em Mianmar

Repórter Sai Win Aung morreu durante uma ação do exército de Mianmar, no dia 25 de dezembro. Foi o segundo jornalista morto no último mês de 2021
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A Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) condenou na quarta-feira (5) o assassinato do repórter Sai Win Aung, também conhecido como A Sai K. Ele foi morto durante uma ação do exército de Mianmar, no dia 25 de dezembro. 

O repórter cobria a situação dos refugiados no estado do Estado de Kayin para o Federal News Journal quando foi morto a tiros em um ataque de artilharia realizado pelas forças armadas de Mianmar. O incidente ocorreu em Lay Kay Kaw, uma cidade localizada perto da fronteira com a Tailândia

“Eu condeno a morte de Sai Win Aung. Trabalhadores da mídia como Sai Win Aung arriscam suas vidas para manter o público informado. Seu trabalho merece ser reconhecido e sua segurança protegida de acordo com o Direito Internacional Humanitário, que proíbe ataques a civis”, disse Azoulay.

Sai foi o segundo jornalista morto em Mianmar em dezembro de 2021, de acordo com a Unesco. O fotojornalista Ko Soe Naing morreu sob custódia militar depois de ser preso enquanto cobria protestos populares ocorridos no dia 10 de dezembro.

Soldados de Mianmar durante desfile militar em Naipidau (Foto: Wikimedia Commons)

Em uma atualização recente, a Acnur (agência de refugiados da ONU) disse que o conflito se intensificou no mês passado, com o aumento dos relatos de ataques do exército em Mianmar, especialmente nas regiões noroeste e sudeste. Também teria aumentado a resistência armada contra a junta militar que comanda o país, de acordo com relatos da mídia local.

Desde que foi tomada pelos rebeldes, Lay Kay Kaw “se tornou um dos esconderijos para ativistas pró-democracia e funcionários públicos do Conselho de Administração do Estado (SAC, da sigla em inglês)”, disse a agência, citando o grupo oposicionista armado. “Como resultado das incursões e do conflito que se seguiu, centenas de pessoas foram deslocadas”.

A Tailândia confirmou que cerca de 4,6 mil pessoas fugiram de Mianmar em meio à escalada recente em torno da cidade, iniciada em meados de dezembro. Algumas voltaram voluntariamente, mas muitas seguem no país vizinho.

Por que isso importa?

Mianmar enfrenta “uma campanha de terror com força brutal”, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas). A repressão imposta pelo governo já causou a morte de ao menos 1252 pessoas desde o golpe de 1º de fevereiro deste ano, uma reação dos militares às eleições presidenciais de novembro de 2020.

Na ocasião, a NLD (Liga Nacional pela Democracia) venceu as eleições com 82% dos votos, ainda mais do que havia obtido no pleito de 2015. Em fevereiro, então, a junta militar, que já havia impedido o partido de assumir o poder antes, derrubou e prendeu a presidente eleita Aung San Suu Kyi.

O golpe deu início a protestos no país, respondidos com violência pelas forças de segurança nacionais. Centenas de pessoas foram presas sem indiciamento ou julgamento prévio, e muitas famílias continuam à procura de parentes desaparecidos. Jornalistas e ativistas são atacados deliberadamente, e serviços de internet têm sido interrompidos.

No início de dezembro, tropas da junta militar foram acusadas de assassinar 11 pessoas em uma aldeia no noroeste do país. De acordo com uma testemunha, as vítimas, algumas delas adolescentes, teriam sido amarradas e queimadas na rua. Fotos e um vídeo chocantes que viralizaram por meio de redes sociais à época mostravam corpos carbonizados deitados em círculo no vilarejo de Done Taw, na região de Sagaing.

A ação dos soldados seria uma retaliação a um ataque de rebeldes contra um comboio militar. Uma liderança local da oposição afirmou que os civis foram queimados vivos, evidenciando a brutalidade da repressão à população que tenta resistir ao golpe de Estado orquestrado em fevereiro deste ano.

Conteúdo adaptado do material publicado originalmente em inglês pela ONU News

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