Decisão da ONU adia reconhecimento do Taleban e da junta militar de Mianmar

A aceitação dos talibãs e da junta birmanesa é tida como um passo fundamental por ambas nações em busca do reconhecimento da comunidade internacional
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Em Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), foi aprovada nesta segunda-feira (6) uma determinação que adia indeterminadamente o reconhecimento, como governos legítimos, dos representantes apresentados pelo Taleban no Afeganistão e pela junta militar responsável pelo golpe de Estado em Mianmar. As informações são da rede Euronews.

O anúncio da resolução significa que a organização islâmica e os militares que governam o país do sudeste asiático não serão autorizados a entrar no organismo intergovernamental. A aceitação dos talibãs e da junta birmanesa na ONU é tida como um passo fundamental por ambas as nações em busca do reconhecimento da comunidade internacional.

Na semana passada, a Comissão de Credenciais das Nações Unidas, formada por nove membros e que inclui Estados Unidos, Rússia e China, concordou sobre o adiamento da decisão, aprovada por consenso sem o voto dos membros da ONU. É improvável que o comitê considere novamente as reivindicações de representar o Afeganistão e Mianmar até o final de 2022.

Panorama da Assembleia Geral das Nações Unidas (Foto: WikiCommons)

O Taleban, que reassumiu o poder no Afeganistão agosto, nomeou como embaixador Suhail Shaheen, porta-voz do grupo islâmico, solicitando à ONU que o aceite como novo representante do país.

O atual embaixador da organização global nomeado pelo governo deposto, Ghulam Isaczai, também pediu para que seja mantida a sua cadeira. Da última vez em que os fundamentalistas estiveram no comando do país, período que se estendeu entre 1996 e 2001, o embaixador nomeado pelo governo derrubado continuou como representante das Nações Unidas.

Pelo lado de Mianmar, a junta que executou o golpe militar em 1º de fevereiro deste ano, destituindo o governo eleito de Aung San Suu Kyi, indicou a veterana militar Aung Thurein para ser o seu rosto na ONU.

Kyaw Moe Tun, embaixador nomeado pelo governo de Suu Kyi, também solicitou a renovação do credenciamento na ONU, apesar de ser alvo de um complô que planejou matá-lo devido à sua discordância quanto ao golpe.

Também nesta segunda (6), um tribunal em Mianmar declarou culpada a presidente deposta Suu Kyi, acusada de incitação e violação das medidas sanitárias de enfrentamento ao coronavírus, ato que críticos classificam como “um julgamento simulado”.

Por que isso importa?

Mianmar enfrenta “uma campanha de terror com força brutal”, segundo a ONU. A repressão imposta pelo governo já causou a morte de ao menos 900 pessoas desde o golpe de 1º de fevereiro deste ano, uma reação dos militares às eleições presidenciais de novembro de 2020.

Na ocasião, a NLD (Liga Nacional pela Democracia) venceu as eleições com 82% dos votos, ainda mais do que havia obtido no pleito de 2015. Em fevereiro, então, a junta militar, que já havia impedido o partido de assumir o poder antes, derrubou e prendeu a presidente eleita Aung San Suu Kyi.

Já o Taleban, desde que assumiu o poder, no dia 15 de agosto, busca reconhecimento internacional como governo de fato do que chama de “Emirado Islâmico“. O grupo chegou a se reunir com autoridades da ONU a fim de garantir que a assistência humanitária seja mantida no país.

Entretanto, as acusações de abusos dos direitos humanos e de repressão, sobretudo contra as mulheres, afastam cada vez mais o governo talibã da comunidade internacional. Tanto que, até agora, nenhuma nação reconheceu formalmente o Taleban como poder legítimo no país, apesar da aproximação com países como China e Paquistão.

Mais do que legitimar os talibãs internacionalmente, o reconhecimento é crucial para fortalecer financeiramente um país pobre e sem perspectivas imediatas de gerar riqueza.

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