Atuação de Bolsonaro gerou saída de recursos estrangeiros do Brasil

Crise política e sanitária pela qual passa o país desestimula o aporte de novos investimentos, que retornam devagar
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Investidores estrangeiros estão retirando recursos do Brasil por medo da atuação do presidente Jair Bolsonaro como agente de uma crise econômica, política e institucional. As informações são do jornal britânico “Financial Times”.

Foram retirados US$ 11,8 bilhões da B3, a bolsa brasileira, entre fevereiro e maio deste ano. As perdas foram uma das maiores entre mercados emergentes.

No mercado de títulos, foram embora US$ 18,7 bilhões no período entre fevereiro e abril. Parte dessa saída foi compensada por uma emissão de títulos, por parte do Tesouro, de cerca de US$ 3,5 bilhões nesta quarta (3).

Bolsonaro é acusado de irritar investidores estrangeiros no Brasil
Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (Foto: Isac Nóbrega/PR)

Segundo o site “Brazil Journal“, a demanda passou de US$ 19 bilhões. Coordenaram essa emissão brasileira bancos como Itaú BBA, Deustche Bank, JP Morgan e Bank of America.

O Brasil e o mundo

Por outro lado, mercados emergentes como um todo viram um retorno parcial dos US$ 83 bilhões retirados em março. Cerca de US$ 23 bilhões entraram nesses países entre abril e maio, já que investidores buscam por retornos maiores que os disponíveis em economias desenvolvidas.

De acordo com o Financial Times, Bolsonaro está no centro de uma crise política. O presidente continua a minimizar a severidade do coronavírus apesar de o Brasil já ter registrado mais de 500 mil casos da doença e quase 30 mil mortes.

Investidores se preocupam ainda com a demissão de dois ministros da Saúde durante a crise de saúde global e a do ministro da Justiça, em meio a acusações de que Bolsonaro estaria tentando interferir na Polícia Federal.

Com o pico do vírus esperado para o período entre julho e setembro, os custos do socorro econômico deve aumentar.

Para o economista-chefe da Goldman Sachs na América Latina, Alberto Ramos, essa expectativa deve resultar em um déficit fiscal igual a 19% do PIB neste ano. O especialista foi consultado pelo diário britânico.

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