OMS: Uma em cada quatro pessoas em países ricos já foi imunizada

700 milhões de vacinas já foram aplicadas; destas, nove em cada dez foram usadas em países de renda média e alta

Este conteúdo foi publicado originalmente no portal ONU News, da Organização das Nações Unidas

A OMS (Organização Mundial da Saúde) informou que nos países ricos – de média ou alta renda –, em média, uma em cada quatro pessoas já foi vacinada contra a Covid-19. Já nas nações de baixa renda, apenas uma em mais de 500 recebeu o imunizante. 

No total, mais de 700 milhões de doses foram administradas em todo o mundo, com 87% indo para países ricos. As nações de baixa renda receberam menos de 0,2%. Falando a jornalistas em Genebra, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, disse que “continua existindo um desequilíbrio chocante na distribuição de vacinas.” 

No início do ano, Tedros estabeleceu a meta de vacinação em todos os países. O prazo termina este sábado, 10 de abril. Mas 26 Estados ainda não começaram a campanha. 

OMS: Um em cada quatro pessoas em países ricos já foi imunizada
Idosos recebem a vacina da Covid-19 no Peru, após chegada de remessa da iniciativa Covax, em março de 2021 (Foto: UN Photo/Jose Vilca)

Desses, sete nações receberam doses e outros cinco esperam os lotes para os próximos dias. Em 14 países, a campanha ainda não começou. Alguns não integram a parceria Covax, outros não estão prontos ou planejam começar nas próximas semanas. 

A Covax já distribuiu 38 milhões de doses em mais de 100 países. A iniciativa esperava distribuir quase 100 milhões de doses até o final de março, mas houve uma redução e a OMS quer recuperar o atraso até maio. 

Brasil 

A agência também comentou a situação no Brasil, que registou mais de 4 mil mortes por Covid-19 nesta quinta-feira. Na última semana, a alta no número de mortes no país foi de 24%, um ritmo duas vezes maior que a média mundial.  

Respondendo a uma pergunta sobre cooperação com governos, Tedros disse que a OMS está em contato com o Governo Federal e que já falou como o novo ministro da Saúde. Tedros disse ainda que a OMS está em contato com outros representantes do governo e espera que isso faça avançar a parceria com o governo brasileiro.  

Já o diretor-executivo da OMS, Michael Ryan, afirma que “como parte da cooperação técnica normal com o Brasil, o escritório do país e os colegas da Opas trabalham muitas vezes diretamente em apoio técnico e operacional ao nível estadual.” 

Para ele, nesse momento, a agência tem “um número de equipes técnicas ao nível subnacional”, mas “o envolvimento político continua sendo ao nível federal, o que é apropriada para a organização.” 

OMS: Um em cada quatro pessoas em países ricos já foi imunizada
Primeira remessa de vacinas à Covid-19 que chegou ao Mali via iniciativa Covax em março de 2021 (Foto: Unicef/Seyba Keita)

Segurança 

A OMS atua ainda com seus parceiros para acelerar a produção e o fornecimento de vacinas, incluindo a revisão de mais vacinas, como as da Sinopharm, Sinovac e Gamaleya. A agência continua monitorando a segurança destes imunizantes. 

No início da semana, a Agência Europeia de Medicamentos e a Agência de Medicamentos e Outros Produtos de Saúde do Reino Unido disseram que coágulos de sangue deveriam ser listados como efeitos colaterais muito raros da vacina AstraZeneca.  

O Comitê Consultivo Global da OMS sobre Segurança de Vacinas revisou as informações disponíveis na Europa e em outras regiões e afirmou que uma relação causal entre a vacina e a ocorrência de coágulos sanguíneos com plaquetas baixas é plausível, mas mais investigação é necessária. 

Para Tedros, a OMS e seus parceiros “continuam a acreditar que os benefícios da vacina superam o risco desses efeitos colaterais muito raros” e lembrou que todas as vacinas e medicamentos produzem risco de efeitos colaterais. 

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