Coronavírus

ONU: Mortes por Covid-19 caem no resto do mundo, mas variantes preocupam

Queda vem na contramão da curva de contágios no Brasil; especialistas alertam que pandemia está longe do fim

Este conteúdo foi publicado originalmente pela agência ONU News, da Organização das Nações Unidas

A OMS (Organização Mundial da Saúde) informou que o número de mortes por Covid-19 continua em queda, pela terceira semana consecutiva, em nível global. 

A líder técnica da agência para Covid-19, Maria Van Kerkhove, descreveu como positivo o declínio, mas disse que um grande número de óbitos segue sendo notificado. Na semana passada, foram 63 mil. 

A última atualização da OMS revela 2,6 milhões de novos casos, 7% a mais que na última contagem. Van Kerkhove disse que as três variantes do vírus continuam preocupando. Ela citou a mutação B117, do Reino Unido, e a B1351 identificada na África do Sul

ONU: Covid-19: número de mortes baixa, mas variantes continuam preocupando
Rodada de vacinação à Covid-19 em Accra, Gana, março de 2021 (Foto: Unicef/Francis Kokoroko)

Van Kerkhove também falou da variante P1, rastreada no Brasil e no Japão. Equipes já rastreiam como se dá a transmissão, potenciais efeitos do vírus na habilidade do corpo de desenvolver anticorpos. 

As três variantes, contudo, têm em comum a rapidez na transmissão. Tudo indica, até o momento, que a B117 é a mais grave, o que significa mais hospitalizações e potenciais mortes por Covid-19 com a sobrecarga do sistema de saúde.

 Há ainda várias “variantes de interesse”, das quais ainda não se conhecem os impactos, destacou a especialista. “A Covid-19 pode se espalhar várias vezes se não se observarem as recomendações de uma forma combinada”, alertou o diretor-executivo da OMS, Mike Ryan.

Estima-se que 265 milhões de pessoas já tenham recebido a primeira dose em 115 países que iniciaram campanhas. Mas 80% desse total foram imunizados em apenas 10 nações, com os nove produtos em circulação.   

Infecções  

Ryan defende que o comportamento individual de prevenção, a vigilância de saúde pública e a vacinação poderão ajudar a aliviar as restrições com um maior controle e permitir que as sociedades possam abrir. 

Em nível global, até esta quarta-feira foram notificados mais de 114,3 milhões de casos e 2.539.427 mortes devido à Covid-19. Esse é o primeiro aumento de novas infecções em sete semanas.

A OMS aponta que as regiões das Américas, da Europa, do Sudeste Asiático e do Mediterrâneo Oriental tiveram o maior número de novos casos notificados. A agência realça a prioridade de se vacinar profissionais de saúde até 7 de abril. 

Em menos de 40 dias chega ao fim a meta de distribuição equitativa de vacinas. O prazo de 100 dias serve para que todos os países vacinem funcionários e idosos contra a Covid-19 como parte da campanha promovendo a equidade no acesso aos imunizantes. 

ONU: Covid-19: número de mortes baixa, mas variantes continuam preocupando
Agente de saúde aplica vacina à Covid-19 em homem do grupo de risco no centro de vacinação de Treichville, Costa do Marfim, em 1 de março de 2021 (Foto: UN Photo/Covax/Miléquêm Diarassouba)

Medidas básicas  

A chamada à ação para atingir esse propósito foi lançada em janeiro e incentiva o apoio ao mecanismo Covax, considerado um pilar do Acelerador de Acesso a Ferramentas Contra a Covid-19, Acelerador ACT.  

A iniciativa prevê a distribuição de vacinas, tratamentos e diagnósticos de forma equitativa em todo o mundo. A agência realça que apesar de as vacinas ajudarem a salvar vidas, seria um erro se os países dependessem apenas delas.

A agência da ONU realça que o momento atual é para usar todas as ferramentas para aumentar a produção de imunizantes, incluindo o licenciamento e a transferência de tecnologia. Em caso de necessidade, a OMS pede isenções de propriedade intelectual