Pandemia abre espaço para bom jornalismo, diz CEO do ‘Times’

Executivo do jornal nova-iorquino frisou importância de destacar o valor essencial da notícia em tempos difíceis
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A pandemia do novo coronavírus é oportunidade para destacar o valor do jornalismo profissional e das notícias confiáveis, afirmou o presidente do jornal “The New York Times”, Mark Thompson. As declarações foram dadas neste domingo (10) no programa “Reliable Sources”, da CNN norte-americana.

Para Thompson, o cenário traz chance de renovação para as empresas jornalísticas. “É o momento para as organizações encontrarem público e provarem o valor das notícias confiáveis”, afirma o executivo.

O “The New York Times”, explicou, vem investindo em produtos digitais como engenharia e ciência de dados – inclusive em reportagens especiais.

Como a demanda publicitária é ligada ao desempenho da economia global, os veículos de comunicação e gigantes de tecnologia tiveram grandes quedas de receita nos três primeiros meses deste ano.

Apesar de ter registrado um recorde de 6 milhões de assinaturas no primeiro trimestre do ano, o New York Times registrou uma queda de 15,2% na receita publicitária para o mesmo período. O jornal espera que, até o trimestre que se encerra em julho, a publicidade caia 50%.

Desafios

Apesar de planejar a demissão de uma pequena parte da equipe por causa dos impactos econômicos do vírus, a situação financeira do jornal norte-americano é amenizada pelo aumento das assinaturas. O “The New York Times” depende da publicidade apenas para um quarto da sua receita total.

A situação é diferente em muitas redações locais norte-americanas. Esse veículos, de menor porte e atuantes em praças regionais, precisaram recorrer a reduções de horas, demissões e cortes salariais para sobreviver à pandemia.

Jornalistas durante assembleia da ONU, em setembro de 2019 (Foto: Laura Jarriel/UN Photo)

Liberdade de imprensa

A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) e a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil promovem nesta terça (12) um debate sobre a liberdade de imprensa durante a pandemia.

Entre os temas em discussão estão a segurança dos profissionais da imprensa em meio à crise do Covid-19, o futuro dos meios de comunicação após a pandemia, e o combate à desinformação durante este período.

O primeiro painel, que debateu a segurança dos profissionais da imprensa neste período, apontou que o estresse emocional e a estratégia dos governos para atacar jornalistas se assemelha ao que acontece durante épocas de guerra.

“Você assiste a mortes o tempo todo, a mídia está sob ataque, autoridades muitas vezes culpam o mensageiro, e você não sabe quando tudo vai acabar”, afirmou a jornalista Judith Matloff.

Nas ruas com frequência, o risco de contaminação por parte dos jornalistas é grande. Os profissionais recomendaram carregar máscaras de proteção extra, usar proteção total do rosto, apostar em conteúdos mais simples e usar microfones longos.

Foi abordada ainda a questão do assédio online do jornalista, principalmente entre as mulheres. Matloff recomendou a quem sofre assédio manter registro de todos os ataques.

Depois de bater o ponto e ir para casa, os profissionais recomendaram atividades que os conectem com outras pessoas, como encontros virtuais com os amigos.

Os demais painéis acontecem na tarde desta terça.

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