Tragédia causada pela Covid-19 se aproxima da Síria, alerta ONU

Apesar do número de casos ser menor que em outros países, situação precária do sistema de saúde preocupa
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Os 42 casos confirmados do novo coronavírus e as três mortes registradas na Síria sinalizam a chegada de uma tragédia no país, segundo declarações do subsecretário-geral das Nações Unidas para assuntos humanitários, Mark Lowcock, nesta quarta (29).

Após nove anos de guerra, a situação precária do sistema de saúde sírio preocupa o subsecretário. Durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, Mark Lowcock afirmou que, apesar de o número de casos ser baixo, se comparado com outros países, a Síria dispões de poucos testes.

Com milhões vivendo em aglomerações e sem saneamento adequado, Lowcock afirma que não se pode esperar que a Síria enfrente “uma crise que está desafiando até mesmo as nações mais ricas”.

Há esforços para criar áreas de isolamento em instalações de saúde e campos que abrigam sírios obrigados a deixar as suas casas por causa da guerra. Porém, as medidas já estão resultando em efeitos colaterais, como a disparada no preço de alimentos em algumas regiões.

O subsecretário pediu ainda que a fronteira do Iraque com o nordeste da Síria seja reaberta para a entrada de suprimentos e equipamentos médicos essenciais. As remessas vindas de Damasco não são suficientes, explicou.

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Delegação da ONU chega a Homs, na Síria (Foto: UN Photo)

Cessar-fogo

No dia 23 de março, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu para que as nações em conflito aderissem a um cessar-fogo durante a pandemia do novo coronavírus. O pedido tem sido reforçado no caso da Síria.

O enviado especial da ONU à Síria, Geir Pedersen, afirma que houve uma “calma significativa em muitas áreas” do país, sem ataques desde o início de março.

Pedersen disse ainda que um acordo entre russos e turcos foi firmado no noroeste do país, último reduto de oposicionistas, e uma trégua entre Rússia, Turquia e Estados Unidos no nordeste sírio também continua.

No entanto, o enviado da ONU caracteriza a trégua como “inquieta e frágil”, sob o risco constante de escalada.

Nesta terça (28), um bombardeio deixou mais de 40 pessoas mortas em um mercado lotado na cidade de Afrin, na fronteira síria com a Turquia. O governador do província turca de Hatay informou que uma granada explodiu entre a multidão.

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