África

Mulheres querem cota de 30% nos cargos legislativos na Somália

Movimento ganhou força no período pré-eleitoral, com pleito no próximo dia 8; atual representação é de 24%

Ativistas pressionam o governo da Somália a reservar 30% dos cargos legislativos para mulheres. O movimento ganhou força nos meses anteriores às eleições do país, agendadas para a próxima segunda-feira (8).

Em uma nação onde 98% das meninas sofreram mutilação genital, conforme relatório da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), poucos concordam com a participação de mulheres nos fóruns públicos.

A política do país africano, imerso em conflitos, é em geral dominada por homens conservadores – muitas vezes os responsáveis por decidir quem integrará, ou não, o Parlamento. Mesmo assim, hoje as mulheres já representam um quarto do Parlamento somali.

Mulheres pedem cota mínima de 30% em participação política na Somália
A chanceler da Somália, Fawzia Yusuf H. Adam, em pronunciamento à Comissão Eleitoral na capital Mogadíscio, maio de 2017 (Foto: UN Photo/Tobin Jones)

Na Somália, a escolha de quem deve ocupar as 329 cadeiras da Câmara baixa vêm de delegados escolhidos por “anciãos”. Os quatro maiores clãs do país recebem o mesmo número de cadeiras, enquanto clãs menores ficam com a metade.

O ingresso de mulheres nesses clãs já é difícil, mas obter sucesso no sistema dominado por eles é quase impossível, disse a candidata Luul Isak Adan à alemã Deutsche Welle. “As mulheres são vistas como menos competentes que os homens em termos de poder e de perspectiva financeira”, relatou.

De cara, as mulheres esbarram na taxa para a inscrição ao pleito, que fica entre 8,2 mil e 16,4 mil euros por candidato – cerca de R$ 108 mil. Com salários menores, as mulheres demoram a conseguir o valor com ajuda dos clãs, como é comum entre colegas do sexo masculino.

Conflitos minam participação

A instabilidade na Somália acentua o afastamento das mulheres da vida política. A atual chanceler e ex-vice-primeira-ministra, Fawzia Yusuf Haji Adan, relata que os frequentes ataques da jihadista Al Shabab inviabilizam avanços democráticos no país.

Neste domingo (31), nove pessoas morreram e dez ficaram feridas em um atentado suicida próximo um hotel na capital Mogadíscio. Políticos da oposição estavam no local para uma convenção partidária.

No dia 10, o primeiro-ministro somali Mohamed Hussein Roble anunciou que um terço dos assentos parlamentares deveria ser reservado às mulheres. Em julho de 2020, a Câmara baixa aprovou um projeto de lei sobre o assunto, que segue parado sem o aval da Câmara alta, equivalente ao Senado.