A guerra entre Rússia e Ucrânia atingiu um novo marco alarmante nesta quinta-feira (28). Segundo informações divulgadas pelo GCHQ (Government Communications Headquarters), a agência de inteligência eletrônica e cibernética do Reino Unido, quase 500 mil soldados russos morreram desde o início da invasão em larga escala ordenada por Vladimir Putin em fevereiro de 2022. As informações são da CBS News.
A estimativa foi apresentada por Anne Keast-Butler, diretora do GCHQ. O número representa a maior projeção oficial de mortes militares russas divulgada por um governo ocidental desde o início do conflito.
“Enquanto mantemos nosso apoio inabalável à Ucrânia, Putin está recuando no campo de batalha”, afirmou Keast-Butler ao comentar os dados de inteligência.

Especialistas em defesa consideram a nova estimativa um indicativo de desgaste crescente das forças russas. Michael Clarke, ex-diretor-geral do Royal United Services Institute, afirmou que o número pode ser ainda maior devido às dificuldades de atendimento médico na linha de frente e às condições enfrentadas pelos soldados enviados ao combate.
O anúncio ocorre em meio a uma nova escalada militar no leste europeu. Nos últimos dias, a Rússia intensificou ataques contra Kiev e outras regiões ucranianas, utilizando mísseis balísticos e centenas de drones. No domingo, um bombardeio de grande escala atingiu a capital ucraniana e seus arredores.
Em resposta, a Ucrânia voltou a atacar estruturas estratégicas russas. Na madrugada desta quinta-feira (27), forças ucranianas bombardearam uma refinaria de petróleo no porto de Tuapse, no Mar Negro. Segundo Kiev, a instalação abastece parte das operações militares russas.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky também reforçou pedidos por mais sistemas antimísseis ao governo dos Estados Unidos e aliados europeus. O líder ucraniano afirma que a necessidade de defesa aérea aumentou diante da frequência dos ataques russos.
A tensão aumentou ainda mais após o governo russo recomendar que diplomatas e cidadãos estrangeiros deixem Kiev, alegando que novos ataques contra centros militares e estruturas estratégicas da capital estão sendo preparados.
Apesar do alerta, a embaixada dos Estados Unidos em Kiev segue aberta. A representação diplomática norte-americana desmentiu rumores sobre um possível fechamento e reiterou a recomendação para que cidadãos americanos não viajem à Ucrânia devido ao conflito armado.
Analistas internacionais avaliam que o cenário da guerra passa por uma mudança gradual. Relatório recente do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW, da sigla em inglês), sediado nos Estados Unidos, aponta que as forças ucranianas podem estar recuperando parte do ímpeto no campo de batalha, especialmente após sucessivos ataques a infraestruturas russas.
A guerra na Ucrânia já ultrapassa quatro anos e continua provocando impactos globais, incluindo crises energéticas, tensões geopolíticas e aumento dos gastos militares na Europa.