ONU pressiona Irã por acesso nuclear urgente e amplia tensão diplomática após resolução da AIEA

Resolução aprovada pela agência nuclear da ONU exige cooperação imediata de Teerã, acesso a instalações atingidas por ataques e esclarecimentos sobre estoque de urânio enriquecido

O Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) aprovou nesta quarta-feira (10) uma resolução que aumenta a pressão internacional sobre o Irã ao exigir cooperação imediata com os inspetores da agência nuclear da ONU. O documento cobra acesso às instalações nucleares iranianas e informações detalhadas sobre o estoque de urânio enriquecido mantido pelo país. As informações são da Associated Press.

A medida foi aprovada por 21 dos 35 membros do conselho da AIEA, enquanto Rússia, China e Níger votaram contra. Outros dez países se abstiveram.

A resolução afirma que a cooperação do Irã é “essencial e urgente” para que a agência possa verificar se não houve desvio de material nuclear para fins militares. O texto também reforça preocupações sobre o programa nuclear iraniano, especialmente após os ataques realizados por Israel e Estados Unidos contra instalações nucleares do país durante a guerra de 12 dias, em junho de 2025.

Usina Nuclear de Bushehr, no Irã (Foto: WikiCommons)
AIEA não consegue inspecionar instalações atingidas

Desde os bombardeios, inspetores da AIEA não conseguiram acessar alguns dos locais afetados pelos ataques. Segundo a agência, a falta de acesso impede a verificação independente do estado das instalações e do material nuclear armazenado.

Outro ponto de preocupação é o estoque de urânio enriquecido do Irã. De acordo com a AIEA, o país possui atualmente cerca de 440,9 quilos de urânio enriquecido a até 60% de pureza. Embora esse nível ainda esteja abaixo dos 90% normalmente associados à produção de armas nucleares, especialistas consideram que a distância técnica para alcançar esse patamar é relativamente pequena.

O diretor-geral da AIEA, Rafael Mariano Grossi, afirmou recentemente que a quantidade acumulada poderia ser suficiente para a fabricação de até dez armas nucleares caso o governo iraniano decidisse militarizar seu programa. A agência ressalta, porém, que não existem evidências de que o Irã possua armas nucleares atualmente.

Irã rejeita acusações e critica resolução

O governo iraniano voltou a negar qualquer intenção de desenvolver armamentos nucleares e afirma que seu programa tem objetivos exclusivamente civis e pacíficos.

O embaixador iraniano junto à AIEA, Reza Najafi, criticou duramente a resolução, argumentando que ela ignora o contexto de segurança criado pelos ataques sofridos pelo país. Segundo ele, o Irã continua cooperando com a agência nas instalações que não foram afetadas pelos bombardeios.

A tensão ocorre em um momento delicado para o Oriente Médio. Além das disputas envolvendo o programa nuclear iraniano, a região enfrenta uma escalada militar que ameaça comprometer esforços diplomáticos e ampliar os riscos de um conflito regional mais amplo.

ONU pode ampliar pressão sobre Teerã

Embora a resolução não encaminhe imediatamente o caso ao Conselho de Segurança da ONU, o texto deixa aberta a possibilidade de novas medidas caso o Irã continue sem atender às exigências da agência.

Diplomatas ocidentais afirmam que a iniciativa busca manter a pressão internacional para que Teerã cumpra integralmente suas obrigações previstas no Tratado de Não Proliferação Nuclear.

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