Os russos começaram a votar nesta sexta-feira (18) nas eleições para a Duma Estatal, em um processo de três dias no qual nenhum dos partidos autorizados a disputar a eleição se apresenta como oposição aberta ao presidente Vladimir Putin e à guerra na Ucrânia.
A votação, que termina no domingo (20), definirá as 450 cadeiras da Câmara Baixa do Parlamento russo. Também estão em disputa os governos de 11 regiões e assentos em assembleias legislativas de 39 unidades federativas. As informações são da Associated Press, em reportagem publicada pela Euronews.
Entre os partidos que aparecem nas cédulas estão Rússia Unida, Partido Comunista, Rússia Justa, Partido Liberal-Democrata (LDPR) e Novo Povo. Embora tenham posições diferentes em temas domésticos, essas forças apoiam, em diferentes graus, as principais decisões do Kremlin e a guerra na Ucrânia.

O Yabloko, único partido ainda em atividade dentro da Rússia que mantém uma posição pública contra a guerra, foi impedido de participar da disputa nacional. A exclusão ocorre depois de o partido ter registrado aumento de apoio nas redes sociais, principalmente entre eleitores mais jovens.
A situação eleitoral havia sido antecipada por A Referência em julho, quando o portal mostrou que a votação ocorreria em meio à guerra, a ataques de drones contra território russo e a dificuldades econômicas. Na ocasião, a reportagem também apontou a expectativa de manutenção da maioria do Rússia Unida na Duma.
A campanha eleitoral também revelou sinais de baixa participação dos candidatos. No início de setembro, A Referência mostrou que debates eleitorais obrigatórios na televisão russa começaram com candidatos ausentes ou sem participação efetiva. A legislação exige que as emissoras ofereçam espaço gratuito aos partidos, mas não obriga os candidatos a comparecer.
A eleição ocorre também sob o temor de uma nova mobilização militar. Putin negou duas vezes somente em setembro a existência de planos para uma nova convocação. A Rússia mobilizou 300 mil reservistas em 2022, medida que provocou uma saída de homens em idade militar do país.
O receio ganhou força enquanto ataques de drones ucranianos atingem instalações e cidades russas cada vez mais distantes da fronteira. Os ataques também contribuíram para problemas no abastecimento de combustível e aumentaram a pressão sobre a economia russa.
Quase 200 candidatos que participam das eleições têm experiência na guerra da Ucrânia. O Kremlin tem apresentado esses militares como integrantes de uma nova “elite” russa e estimulado sua entrada na política.
A votação também ocorre em territórios ucranianos ocupados pela Rússia. Kiev e países ocidentais não reconhecem a legitimidade das eleições russas nessas áreas.
A oposição russa permanece majoritariamente fora do país. Em junho, A Referência noticiou a criação da Rússia Pacífica, partido formado por opositores exilados e liderado por Ilya Yashin. O grupo pretende organizar uma alternativa política ao governo Putin e manter uma estrutura de oposição para um eventual cenário de eleições livres.
A atual eleição é a primeira parlamentar realizada desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022. Além de definir a composição da Duma, o resultado será utilizado pelo Kremlin para demonstrar apoio interno ao governo e à condução da guerra.