A Rússia vive a pior crise de combustível em anos, com impactos diretos no abastecimento de gasolina e diesel em dezenas de regiões. O problema se intensificou após uma série de ataques com drones atribuídos à Ucrânia contra refinarias, terminais de petróleo e oleodutos, segundo autoridades e analistas do setor energético. As informações são da Radio Free Europe.
A refinaria de Kapotnya, considerada uma das principais fornecedoras de combustível para a região de Moscou, foi atingida duas vezes desde maio. De acordo com fontes ouvidas por agências internacionais, a planta pode permanecer fora de operação até o fim de 2026, agravando ainda mais a pressão sobre o sistema de distribuição.
Em 24 de junho, pelo menos 55 das 83 entidades federativas russas relataram algum tipo de restrição na venda de combustíveis. Em muitos casos, as limitações foram impostas diretamente por autoridades locais. Em outros, empresas privadas adotaram medidas de controle de abastecimento diante da escassez.

Além disso, quase duas dezenas de regiões registraram falta de gasolina ou restrições informais relatadas por veículos locais e redes sociais. O cenário indica uma crise ampla e descentralizada, com efeitos simultâneos na oferta e na distribuição.
Especialistas apontam que a principal causa da crise é a intensificação dos ataques à infraestrutura energética russa. Desde o início do ano, refinarias estratégicas vêm sendo atingidas com maior frequência, afetando a capacidade de processamento e logística do país.
Segundo analistas do setor, mais de 20% da capacidade total de refino da Rússia pode estar atualmente inativa. O dado reforça a dimensão do impacto sobre o mercado interno de combustíveis.
A crise também atinge áreas ocupadas pela Rússia no território ucraniano. Na Crimeia, autoridades locais chegaram a suspender temporariamente a venda de gasolina após semanas de ataques a rotas de abastecimento, incluindo pontes e rodovias estratégicas.
O governo russo ainda não indicou mudanças em sua estratégia militar, apesar da pressão crescente sobre setores civis e econômicos. A continuidade do conflito, iniciado em 2022, mantém a infraestrutura energética como um dos principais alvos da guerra.
A Ucrânia, por sua vez, ampliou sua capacidade de produção de drones de longo alcance e armamentos próprios, usados em ataques contra instalações energéticas dentro do território russo. Os equipamentos incluem sistemas com maior resistência a interferência eletrônica, o que dificulta a defesa aérea.
Enquanto isso, a população russa enfrenta restrições crescentes no acesso a combustíveis, com impactos no transporte, na logística e em atividades econômicas locais. Em várias regiões, postos operam com limites de venda por cliente ou horários reduzidos de funcionamento.
Analistas internacionais classificam o nível de interrupção como inédito no contexto do conflito. Para o setor energético, o desafio imediato é estabilizar a distribuição em meio à redução da capacidade de produção e à pressão sobre a infraestrutura existente.