Aviação admite que meta de emissões zero até 2050 pode não ser alcançada

Willie Walsh, diretor-geral da IATA, afirma que atraso na produção de combustíveis sustentáveis e falhas de governos e fabricantes ameaçam os planos climáticos do setor aéreo

A indústria global da aviação pode não conseguir cumprir a meta de atingir emissões líquidas zero de carbono até 2050. O alerta foi feito pelo diretor-geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, da sigla em inglês), Willie Walsh, durante a reunião anual da entidade realizada no Rio de Janeiro no fim de semana. As informações são do The Guardian.

Segundo Walsh, o principal obstáculo para a descarbonização do setor está na baixa oferta de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF, na sigla em inglês), considerados fundamentais para reduzir as emissões de carbono das companhias aéreas nas próximas décadas.

A meta de neutralidade climática foi anunciada pela indústria aérea em 2021 e prevê uma ampla transformação do setor, incluindo o uso de combustíveis alternativos, aeronaves mais eficientes e mecanismos globais de compensação de emissões. No entanto, a produção de SAF continua muito abaixo do necessário.

(Foto: WikiCommons)

De acordo com a IATA, a produção global de combustível sustentável para aviação deve atingir apenas 2,4 milhões de toneladas em 2026, o equivalente a cerca de 0,8% da demanda total do setor. Para que a meta climática seja alcançada, a participação desse combustível precisaria chegar a aproximadamente 65% até 2050.

Durante seu discurso, Walsh afirmou que a indústria aérea não conseguirá atingir sozinha os objetivos climáticos estabelecidos. Ele responsabilizou governos, fabricantes de aeronaves e empresas de energia pelos atrasos na implementação das medidas necessárias para a transição energética.

O executivo também criticou a lentidão na modernização dos sistemas de gerenciamento de tráfego aéreo, apontando que melhorias operacionais poderiam reduzir significativamente as emissões de carbono da aviação mundial.

Outro ponto de preocupação é o desenvolvimento do chamado e-SAF, combustível sintético produzido a partir de energia renovável. Embora seja considerado uma das principais apostas para a aviação sustentável, a produção comercial ainda é limitada e insuficiente para atender às metas estabelecidas por governos da Europa e do Reino Unido.

A vice-presidente de sustentabilidade da IATA, Marie Owens Thomsen, classificou como irrealistas as metas de uso de e-SAF previstas para 2030. Segundo ela, impor exigências regulatórias antes da existência de uma cadeia produtiva robusta pode elevar os custos do setor e pressionar ainda mais o preço das passagens aéreas.

Especialistas avaliam que a admissão da IATA reforça as dúvidas sobre a capacidade da aviação global de cumprir os compromissos climáticos assumidos nos últimos anos. Ambientalistas também argumentam que o crescimento contínuo do transporte aéreo dificulta a redução das emissões, mesmo com avanços tecnológicos.

Caso os desafios atuais persistam, a indústria poderá ser obrigada a revisar seu cronograma de descarbonização e estabelecer novos prazos para alcançar a neutralidade de carbono.

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