O YPG acabou? Grupo curdo anuncia fim de sua força militar independente na Síria

Líder Mazloum Abdi afirmou que estruturas militares e civis do grupo serão dissolvidas após a integração de suas forças ao Exército sírio

O grupo rebelde YPG (Unidade de Proteção do Povo) anunciou nesta terça-feira (25) a dissolução de sua estrutura militar independente e de sua chamada administração autônoma no nordeste da Síria. O anúncio foi feito por Ferhat Abdi Sahin, conhecido pelo codinome Mazloum Abdi, que afirmou que a decisão ocorre após um acordo com o presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, e a conclusão do processo de integração de suas forças ao Exército sírio. As informações são da Anadolu.

Abdi fez o anúncio a jornalistas no Palácio do Povo, em Damasco. Segundo o líder, o grupo deixará de atuar como uma força militar independente após a incorporação de seus combatentes às brigadas do Exército da Síria.

“Após o acordo firmado com o presidente Ahmed al-Sharaa e a conclusão do processo de integração de nossas forças às brigadas do Exército sírio, anunciamos hoje, com grande senso de responsabilidade, que estamos nos dissolvendo como uma força militar independente”, afirmou Abdi.

Combatente do PKK (Partido dos Trabalhadores Curdos) em agosto de 2015 (Foto: Divulgação/ Kurdishstruggle)

O anúncio é resultado de um processo iniciado em janeiro, quando o governo sírio e o YPG chegaram a um acordo que previa um cessar-fogo e a integração gradual das estruturas militares e civis controladas pelo grupo às instituições do Estado sírio.

A medida representa uma mudança importante no equilíbrio de forças no nordeste da Síria, região onde o YPG exerceu durante anos controle territorial e esteve à frente das principais estruturas militares da região. O grupo também teve papel central na luta contra o Estado Islâmico e recebeu apoio dos Estados Unidos durante a campanha contra a organização extremista.

A dissolução ocorre em um contexto de reorganização política e militar da Síria após a queda do regime de Bashar al-Assad. O novo governo, liderado por Ahmed al-Sharaa, busca ampliar o controle do Estado sobre áreas que permaneceram sob administração de diferentes grupos armados durante os anos de guerra civil.

A questão curda também tem implicações diretas para a Turquia. Ancara considera o YPG ligado ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), organização que classifica como terrorista, e há anos pressiona pelo fim da estrutura militar curda junto à sua fronteira. O governo turco também realizou operações militares contra posições do YPG no norte da Síria.

A integração das forças do YPG ao Exército sírio poderá, portanto, alterar não apenas a estrutura militar do país, mas também a relação entre Damasco, as forças curdas, Turquia e Estados Unidos.

Apesar do anúncio, a implementação do acordo será determinante para saber como será feita, na prática, a incorporação dos combatentes e das estruturas administrativas anteriormente controladas pelo YPG. O processo também deverá definir o grau de autonomia que as comunidades curdas manterão dentro do novo modelo de Estado sírio.

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