Diplomacia

Em esquema de espionagem, alvos eram procurados no LinkedIn

Espião forjava empresas de consultoria para roubar informações de especialistas e ex-oficiais norte-americanos

Cinco anos após se envolver em um processo de “espionagem ilegal”, o estudante Jun Wei Yeo, cidadão de Singapura, se declarou culpado na última sexta (24) em um tribunal capital norte-americana Washington.

Considerado um “agente ilegal de potência estrangeira”, o homem de 39 anos pode ser condenado a até 10 anos de prisão. Em meio à tensão entre EUA e China, o caso, revelado pela britânica BBC, chama a atenção.

De acordo com documentos do processo, Yeo teria sido contratado para fornecer espionagem usando relatórios baseados em rumores e conhecimento interno de alvos americanos ainda em 2015.

Perfil de Yeo no LinkedIn (Foto: Reprodução/BBC)

Abordagem de possíveis alvos

De acordo com relatórios do governo americano, o estudante utilizou a rede de relacionamento profissional, onde há mais de 700 milhões de usuários, para atrair possíveis alvos por meio de uma empresa de consultoria falsa.

No LinkedIn, Yeo fazia contatos com objetivos escusos: o primeiro alvo foi Kevin Mallory, um ex-oficial da CIA preso por revelar segredos militares.

Outras vítimas chegaram a ser contratadas para escrever relatórios sobre a “consultoria” prestada pelo criminoso. A suposta organização levava o mesmo nome de uma empresa já conhecida no mercado.

Em um dos documentos, um oficial do Exército dos EUA designado para o Pentágono relatava sobre como a retirada das forças americanas do Afeganistão poderia afetar a China.

Para estabelecer, Yeo buscava pessoas e as abordava questionando se estavam insatisfeitos com o trabalho ou tinham problemas financeiros. As informações constam nos documentos da investigação de espionagem, divulgados pelos EUA.

Principal rede de relações profissionais do mundo, LinkedIn era usado no esquema (Foto: Pexels/Greg Bulla)

Até anúncios de emprego online falsos chegaram a ser publicados. Aos investigadores, Yeo teria dito que recebeu mais de 400 currículos – 90% vindos de militares e funcionários dos EUA com autorização de segurança.

De acordo com o procurador-geral adjunto da Segurança Nacional dos EUA, John Demers, o caso é um exemplo de como a China explora a abertura da sociedade americana. “[A China] usa cidadãos não chineses para atacar americanos que nunca deixam os Estados Unidos”, disse.

O Ministério do Interior de Singapura, por outro lado, afirmou que as investigações não revelaram nenhuma ameaça direta à segurança do país.

Aliado invisível

Todos os alvos de Yeo foram identificados via algoritmos do LinkedIn enquanto ele morava em Washington, em 2019.

Dois anos antes, a Agência de Inteligência da Alemanha já havia denunciado agentes chineses. Essas pessoas teriam utilizado o LinkedIn para atingir pelo menos 100 mil alemães.

Em suas redes, a rede social afirmou que as medidas necessárias serão tomadas para impedir “atividades nefastas”.