Ásia e Pacífico

Bancos da China freiam empréstimos ao exterior para menor cifra desde 2016

Em 2016, os dois principais bancos chineses emprestaram US$ 75 bilhões; em 2019, o valor foi de US$ 4 bi

Os dois principais bancos chineses – China Development Bank e Export-Import Bank of China – sofreram um corte abrupto em seu programa de empréstimos ao exterior. Os dados estão em um levantamento da Universidade de Boston.

Após atingir um pico de US$ 75 bilhões emprestados, em 2016, os programas reduziram suas ofertas de crédito para apenas US$ 4 bilhões no ano passado.

A mudança vem na esteira de uma reestruturação do Cinturão da Rota da Seda, ambicioso projeto para construir e financiar estradas, portos, ferrovias e infraestrutura logística nos países em desenvolvimento.

Bancos da China freiam empréstimos ao exterior
Sede do China Development Bank, em Beijing, maio de 2017 (Foto: WikiCommons/China Development Bank)

O leque de empréstimos da China atraiu diversas críticas em 2020, sobretudo aos países mais pobres. A falta de transparência ou estudos de impacto sobre os projetos financiados estão entre os questionamentos do G-20.

Entre os 858 empréstimos identificados pelos pesquisadores, 124 foram para projetos em áreas protegidas. Outros 261 estavam inseridos em habitats protegidos e 133 em territórios de povos indígenas.

Protagonistas dos empréstimos

A guerra comercial entre Beijing e Washington pode ter sido um dos motivos centrais para a redução do empréstimos, disse Kevin Gallagher, diretor do Centro de Desenvolvimento Global da Universidade de Boston.

“Em 2018 e 2019 havia tanta incerteza por conta dessa disputa que eles podem ter preferido manter os ativos em dólar em casa”, apontou Gallagher ao jornal britânico “Financial Times”.

De acordo com o levantamento, de 2008 a 2019 o CDB e EIBC emprestaram, juntos, US$ 462 bilhões. O valor chega perto dos empréstimos do Banco Mundial, que debitou US$ 467 bilhões no mesmo período.

Boa parte, no entanto, se concentra em uma gama estreita de países: 60% dos recursos foram para 10 beneficiários. A Venezuela é o maior beneficiário, com 12,5% do total, seguida pelo Paquistão, Rússia e Angola.