Autoridades ucranianas desmantelam campanha de desinformação pró-Rússia

Mensagens falsas sobre ameaças de bombas e com notícias mentirosas eram usadas para disseminar desinformação entre os ucranianos
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As forças de segurança da Ucrânia invadiram, na quinta-feira (25), um local na cidade de Kherson, no sul do país, onde funcionava uma campanha remota de desinformação a serviço da Rússia, com o objetivo de desestabilizar o governo ucraniano. As informações são do site estatal ucraniano UkrInform.

Os investigadores afirmam que a quadrilha usava uma série de equipamentos que permitia aos criminosos desempenhar o trabalho de forma remota, ocultado as identidades reais usadas para criar perfis falsos em mídias sociais, fóruns online e aplicativos de mensagem.

Autoridades ucranianas desmantelam campanha de desinformação pró-Rússia
Equipamento usado por quadrilha que promovia campanha de desinformação pró-Rússia na Ucrânia (Foto: reprodução/pgo.gov.ua/)

As investigações sugerem que a quadrilha criou, somente nos últimos dois anos, mais de 20 mil perfis em redes sociais, através dos quais eram disparadas mensagens sobre falsas ameaças de bombas e com notícias mentirosas, cujo objetivo era disseminar desinformação entre a população ucraniana. Sistemas russos proibidos no país eram utilizados para remunerar os criminosos.

Nas buscas, as autoridades ucranianas confiscaram computadores com um software usado para a distribuição do conteúdo digital, além de equipamentos de telecomunicações e mais de três mil chips usados em aparelhos eletroeletrônicos como celulares e tablets.

Tensão fronteiriça

Em meio á escalada da tensão entre Ucrânia e Rússia, a chanceler alemã Angela Merkel alertou a União Europeia (UE) para a necessidade de impor novas e severas sanções a Moscou, em função tanto dos incidentes na fronteira entre os dois países quanto à situação dos migrantes e refugiados na divisa Polônia-Belarus.

Ao mesmo tempo em que aumenta a presença militar perto da fronteira com a Ucrânia, o que tem gerado o temor de uma invasão, a Rússia é acusada pela UE e pelos EUA de alimentar a crise dos refugiados devido à proximidade entre Moscou e o governo belarusso.

Merkel fez o alerta durante reunião em Berlim com o primeiro-ministro polonês, Mateusz Morawiecki, e antes de um telefonema que daria ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.

Na conversa com Morawiecki, a líder alemã, que em breve deixará o poder, avaliou que a Polônia tem feito “todo o possível” para evitar maiores problemas com Belarus, acusada de intencionalmente enviar os migrantes e refugiados à fronteira para que ingressem na UE. Merkel expressou “total solidariedade” com Varsóvia no enfrentamento da crise.

Segundo um porta-voz de Merkel, Steffen Seibert, a chanceler também manifestou apoio total de Berlim a Kiev durante o telefonema a Zelensky, enfatizando a aliança entre as nações na defesa da “independência, da soberania e da integridade territorial da Ucrânia”.

Por que isso importa?

As relações entre Ucrânia e Rússia estão estremecidas desde a anexação da Crimeia por Moscou. Tudo começou no final de 2013, quando o então presidente da Ucrânia, o pró-Kremlin Viktor Yanukovych, se recusou a assinar um acordo que estreitaria as relações do país com a União Europeia (UE). A decisão levou a protestos em massa que culminaram com a fuga de Yanukovych para Moscou em fevereiro de 2014.

Após a fuga do presidente, grupos pró-Moscou aproveitaram o vazio no governo nacional para assumir o comando da península e declarar sua independência. Então, em março de 2014, as autoridades locais realizaram um referendo sobre a “reunificação” da Crimeia com a Rússia. A aprovação foi superior a 90%.

Após o referendo, considerado ilegal pela ONU (Organização das Nações Unidas), a Crimeia passou a se considerar território da Rússia. Entre outros, adotou o rublo russo como moeda e mudou o código dos telefones para o da Rússia.

O governo russo também apoia os separatistas ucranianos que enfrentam as forças de Kiev na região leste da Ucrânia desde abril de 2014. O conflito armado, que já matou mais de dez mil pessoas, opõe as forças separatistas das autodeclaradas Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk, com suporte militar russo, ao governo ucraniano.

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