Europa

Espiões acusados de envenenar Skripal são promovidos a ‘representantes’ do Kremlin

Agentes precisaram ser ‘realocados’ depois que tiveram identidades expostas no Reino Unido, em 2018

Os dois espiões russos acusados de envenenar o agente duplo Sergei Skripal e sua filha, Yulia, em maio de 2018, foram promovidos a “representantes do Kremlin” em diferentes regiões da Rússia, de acordo com o tabloide britânico “Daily Mail”.

A promoção ocorre em meio a uma crise diplomática desencadeada pelos agentes na República Tcheca e Bulgária. Alexander Mishkin e Anatoly Chepiga teriam sido os responsáveis pela explosão de depósitos de armas nos dois países entre 2011 e 2020. Moscou, Praga e Sofia expulsaram vários diplomatas em sanções recíprocas.

De acordo com o jornalista russo Christo Grozev, os dois agentes foram recolocados depois que tiveram suas identidades expostas. “Eles receberam novos empregos porque não podem mais trabalhar como espiões”, detalhou Grozev em vídeo. “Agora atuam como importantes representantes do Kremlin em diferentes regiões da Rússia”.

Espiões acusados de envenenar Skripal são promovidos a 'representantes' do Kremlin
Os espiões russos acusados de tentar assassinar o agente duplo Sergei Skripal são flagrados na cidade britânica de Salisbury, em registro de 2018 (Foto: Reprodução/Caption/Daily Mail)

Mishkin e Chepiga não foram mais vistos desde que deram entrevistas à emissora estatal russa RT como meros turistas na cidade britânica de Salisbury, em 2018, após a morte por envenenamento de Dawn Sturgess.

A mulher teria se contaminado com novichok quatro meses depois e apenas 13 quilômetros do local do ataque a Skripal. Na entrevista, eles disseram ser vendedores de bebidas com “grande interesse” em visitar a catedral local. É provável que a morte tenha sido acidental.

Heróis da Rússia

Em 2014, o presidente Vladimir Putin condecorou os agentes com o prêmio “Heróis da Rússia” – o mais importante do país –, pela atuação em uma operação secreta na República Tcheca e Bulgária. Em seguida, os espiões receberam apartamentos em áreas nobres de Moscou.

Registros telefônicos indicam que os agentes mantinham contato frequente com o gabinete do ministro Sergei Lavrov, que comanda as Relações Exteriores da Rússia. Os contatos continuaram antes e depois do ataque a Skripal.

Os espiões também se reportam diretamente com o comandante do GRU (Departamento Central de Inteligência da Rússia), Andrey Averyanov, de quem Chepiga chegou a ser convidado de honra em um casamento da família.