Europa

Espionagem russa na Alemanha atinge níveis que remetem à Guerra Fria

Diretor da inteligência afirmou que Moscou possui um ‘interesse muito complexo’ sobre política da Alemanha

As atividades de espionagem russas na Alemanha aumentaram muito nos últimos anos, atingindo níveis semelhantes aos dos tempos de Guerra Fria.

Em entrevista veiculada neste domingo (6) pelo jornal “Welt am Sonntag”, o diretor da Agência para a Proteção da Constituição, Thomas Haldenwang, afirmou que a Rússia possui enorme interesse em Berlim, sobretudo nas “áreas políticas”.

A Alemanha é o país com maiores população e economia dentro da União Europeia, o que a torna forte influenciadora no bloco. Inclusive em questões referentes à Rússia.

Espionagem russa na Alemanha atinge níveis da Guerra Fria, diz chefe da inteligência alemã
O chefe da inteligência da Alemanha. Thomas Haldenwang, em pronunciamento na capital Berlim, fevereiro de 2020 (Foto: Divulgação/Kirchenkreis Wuppertal)

Segundo Haldenwang, Moscou mantém um “grande número de agentes” na Alemanha, quase sempre próximos a pessoas poderosas. “A abordagem está cada vez mais dura e implacável”, disse.

Alguns casos ligados à espionagem russa na Alemanha vieram a público, como o ataque cibernético contra 38 parlamentares alemães em março.

A invasão faria parte da campanha “Ghostwriter”, supostamente do GRU (Serviço de Inteligência Militar da Rússia). O alvo eram políticos do SPD (Partido Social Democrata) e da CDU (União Democrática Cristã), esta a sigla da chanceler Angela Merkel.

Berlim se prepara para realizar eleições em setembro, pleito que dará início ao mandato de um novo chanceler após 16 anos.

Tensão crescente

A polícia da Alemanha apertou o cerco contra os russos desde 2014, quando da anexação da região da Crimeia, na Ucrânia. Desde então, a UE (União Europeia) proibiu a venda de bens de dupla utilização – que poderiam também ter uso militar – a empresas da Rússia.

Em 2020, Berlim se envolveu em uma crise diplomática com Moscou após o o envenenamento do opositor ao Kremlin Alexei Navalny em agosto.

Merkel afirmou que reconsideraria o projeto do megagasoduto Nord Stream 2 caso a Rússia não investigasse o caso, pelo qual aliados de Navalny acusam Vladimir Putin.