Ex-presidente da Geórgia deve ser nomeado vice-premiê da Ucrânia

O georgiano Mikheil Saakashivili precisou deixar o país natal após acusação de fraude e corrupção
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O Parlamento da Ucrânia deve confirmar em breve o nome do ex-presidente da Geórgia Mikail Saakashvili, exilado do país após acusações de fraude e corrupção, como o novo vice-primeiro-ministro ucraniano. As informações são da Al Jazeera.

Saakashvili anunciou na última quarta (22) que recebeu convite do presidente Volodymyr Zelensky para assumir o cargo. O novo mandatário ucraniano contou com o apoio de Saakashvili, ex-presidente da Geórgia e ex-governador da província ucraniana da Odessa, nas eleições do ano passado.

Ao jornal “Financial Times”, Saakashvili afirmou que Zelensky o quer no cargo para assumir as negociações com o FMI (Fundo Monetário Internacional) em torno de um pedido de US$ 8 bilhões em crédito.

A Ucrânia busca assistência financeira de apoiadores estrangeiros para amortecer o impacto do novo coronavírus na economia, que deve encolher quase 5% este ano.

O premiê, Denys Shmyhal, assumiu a posição em 4 de março –  seu antecessor, Oleksiy Goncharuk, pediu demissão depois de ser ouvido dizendo que o presidente tinha uma “compreensão primitiva da economia”.

Especialistas em política na Ucrânia e na Geórgia estão céticos em relação ao sucesso de Saakashvili no cargo de vice-primeiro-ministro.

Há temores de que o novo vice-premiê possa interferir e prejudicar acordos de paz alcançados entre Zelensky e o presidente russo, Vladimir Putin, sobre o conflito no leste da Ucrânia, uma rebelião pró-russa que começou em 2014.

O motivo é a história de animosidade entre Putin e Saakashvili: anos de insultos e esforços por parte de Saakashvili para acabar com a influência russa na Geórgia, o que levou a uma breve guerra entre os dois países em 2008.

Ex-presidente da Geórgia Mikheil Saakashvili foi convidado a assumir o cargo de vice-primeiro-ministro da Ucrânia (Foto: Facebook/Reprodução)

Acusações

O georgiano Saakashvili, de 52 anos, liderou a Revolução Rosa, que levou o então presidente Eduard Shevardnadze a renunciar ao cargo, em 2003. No ano seguinte, Saakashvili assumiu a presidência e foi reeleito em 2008.

No fim do seu segundo mandato, o ex-presidente da Geórgia precisou deixar o país diante de um eminente pedido de prisão, por acusações de fraude e corrupção no país.

Em 2015, Saakashvili se tornou governador da província ucraniana de Odessa. Um ano depois, ele renunciou ao cargo e acusou o então presidente Petro Poroshenko de corrupção.

O georgiano teve sua cidadania ucraniana cassada no mesmo ano e só a conseguiu de volta no ano passado, após determinação de Zelensky. Seu vínculo com a Ucrânia vem desde a juventude, quando prestou serviço militar no país no final dos anos 1980.

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