Ex-soldado tcheco é condenado por se aliar a separatistas pró-Rússia em Donbass

Martin Sukup teria viajado para o leste da Ucrânia em 2014, comandando primeiro uma unidade de blindados, depois uma bateria de artilharia
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Martin Sukup, um ex-soldado do exército tcheco de 49 anos, foi julgado e condenado a 21 anos de prisão por um tribunal de Praga, capital da República Tcheca, na terça-feira (4). Ele foi acusado de terrorismo, por ter lutado ao lado de separatistas ucranianos apoiados pela Rússia no conflito de Donbass, no leste da Ucrânia. As informações são da rede Radio Free Europe (RFE).

Sukup não esteve presente no julgamento e acredita-se que ele ainda esteja no leste da Ucrânia. Porém, ele constituiu advogados para defendê-lo e se diz inocente das acusações. Os defensores informaram que recorreriam da decisão e que não existem provas contra o réu.

O militar teria viajado para o leste da Ucrânia em 2014, quando a Rússia assumiu o controle da península da Crimeia e começou a apoiar os separatistas nas regiões de Donetsk e Luhansk. Ele teria se mantido ativo no conflito de Donbass ao menos até maio de 2018, comandando primeiro uma unidade de blindados, depois uma bateria de artilharia.

A promotoria tcheca afirma que Sukup deixou um rastro de provas nas redes sociais, incluindo posts com fotos de medalhas que teria recebido por seu papel no conflito. Também foram usadas contra ele provas testemunhais.

O Tribunal atribui a longa sentença ao fato de que o réu fez uso das habilidades adquiridas enquanto servia ao exército tcheco e teve participação mais efetiva no conflito do que outros réus em casos semelhantes.

Soldado das forças ucranianas na região de Donbass (Foto: WikiCommons)

Por que isso importa?

A Rússia apoia os separatistas ucranianos que enfrentam as forças de Kiev na região leste da Ucrânia desde abril de 2014. O conflito armado, que já matou mais de dez mil pessoas, opõe o governo ucraniano às forças separatistas das autodeclaradas Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk, que formam a região de Donbass.

O conflito fez aumentar a tensão entre os dois países, que já era alta desde a anexação da Crimeia pela Rússia. Em 2021, a situação ficou especialmente delicada, com a ameaça de uma invasão russa à Ucrânia que tende a aumentar em 2022.

Washington tem monitorado o crescimento do exército russo na região fronteiriça e compartilhou informações de inteligência com seus aliados. Os dados apontam um aumento de tropas e artilharia russas que permitiriam um avanço rápido e em grande escala, bastando para isso a aprovação de Putin e a adoção das medidas logísticas necessárias.

Especialistas calculam que a Rússia tenha entre 70 mil e 100 mil soldados nas proximidades da Ucrânia, sendo necessária uma força de 175 mil para invadir, além de mais combustível e munição. Conforme o cenário descrito pela inteligência dos EUA, as tropas russas invadiriam o país vizinho pela Crimeia e por Belarus.

Um eventual conflito, porém, não seria tão fácil para Moscou como os anteriores. Isso porque, desde 2014, o Ocidente ajudou a Ucrânia a desenvolver e ampliar suas forças armadas, com fornecimento de armamento, tecnologia e treinamento. Assim, embora Putin negue qualquer intenção de lançar uma ofensiva, se isso ocorrer, as tropas russas enfrentariam um exército ucraniano muito mais capaz de resistir.

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