Mais de 300 vão a julgamento na Itália por elos com máfia ‘Ndrangheta

Acusação já soma 24 mil horas de ligações interceptadas e 900 testemunhas; júri deve durar dois anos
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Começou nesta quinta-feira (14) o maior julgamento do crime organizado da Itália desde 1980. Juízes italianos deverão ouvir acusação e defesa de 335 suspeitos de envolvimento com a máfia ‘Ndrangheta.

Prioridade do tribunal da Calábria, região no sul do país e reduto do grupo, a expectativa é que o caso seja concluído em no máximo dois anos, disse o promotor-chefe Nicola Gratteri à revista italiana “Wanted in Rome”.

A acusação deve convocar 913 testemunhas, além de usar 24 mil horas de conversas interceptadas. Os integrantes são julgados por assassinato, tráfico de drogas, extorsão e lavagem de dinheiro.

Mais de 300 vão a julgamento na Itália por envolvimento com máfia Ndrangheta
O promotor a frente da investigação à máfia italiana ‘Ndrangheta, Nicola Gratteri (Foto: Twitter/Nicola Gratteri)

O julgamento envolve a família Mancuso – braço forte do poderoso setor da máfia ‘Ndrangheta, com operação na região calabresa de Vibo Valentia. Em outro julgamento, entre 1986 e 1992, promotores indiciaram diversas famílias do crime organizado na vizinha Sicília.

Em uma audiência recente, foram necessárias mais de três horas só para ler os nomes dos réus, relatou a BBC. São políticos, policiais e funcionários públicos, além dos supostos membros e cúmplices de crimes da máfia.

Quais são as acusações

No centro da investigação está o suposto “poderoso chefão” do grupo: Luigi Mancuso, 66, também conhecido como “O Tio”. O ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi e o ex-senador Giancarlo Pittelli optaram por um julgamento separado acelerado. Pittelli nega qualquer conexão com a ‘Ndrangheta.

Uma força conjunta prendeu a maioria dos réus em uma operação em dezembro de 2019 que envoleu Itália, Alemanha, Suíça e Bulgária.

A lista de acusações é vasta, mas promotores defendem que os ‘Ndrangheta controlam o fornecimento de boa parte da cocaína que entra na Europa vinda da América do Sul.

Além do narcotráfico, os réus também respondem por associação mafiosa, homicídio, tentativa de homicídio, extorsão, agiotagem, divulgação de segredos oficiais e abuso de poder.

À frente do processo, o promotor Gratteri vive sob proteção policial há mais de três décadas.

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