Na Polônia, mulheres em protesto viram alvo de extremistas

Agressores já ameaçaram ataques a bomba a sete grupos de mulheres; ativistas realizam protestos desde outubro
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Ao menos sete grupos de mulheres ativistas da Polônia já foram alvo de ameaças de bomba e de morte, alertou a organização Human Rights Watch, nesta quarta (31).

Os grupos participam dos protestos pelos direitos das mulheres desde outubro, quando o Tribunal Constitucional polonês decidiu que o aborto é ilegal mesmo em caso de defeitos do feto.

A medida retrocedeu a legislação em vigor até então, que autorizava a interrupção da gravidez em casos de estupro, incesto ou para proteger a vida da mãe. A HRW pediu que as autoridades investigassem e protegessem as mulheres visadas e responsabilizasse os autores das ameaças.

Na Polônia, mulheres em protesto viram alvo de extremistas
Mulheres fecharam as ruas de Cracóvia, na Polônia, ao protestar por direitos coletivos em outubro de 2020 (Foto: Divulgação/ Franciszek Vetulani)

Conforme a pesquisadora sênior da HRW, Hillary Margolis, o cenário dos direitos das mulheres na Polônia é cada vez “mais hostil e violento”. A maioria das ameaças aos grupos ocorreu em 8 de março, o Dia Internacional da Mulher.

“As defensoras dos direitos das mulheres devem ser capazes de se expressar publicamente, inclusive quando se opõem às políticas do governo, sem ter alvos em suas costas”, disse Margolis.

Ameaças

Por email, agressores afirmaram que tramavam uma “vingança” pelos grupos apoiarem o movimento das mulheres nas ruas. Os textos prometiam ataques a bomba em atividades realizadas pelas ativistas.

As mulheres relatam, porém, que a polícia desencorajou os grupos a tomarem qualquer atitude após as ameaças. “Oficiais disseram que aquilo não era realmente sério”, relataram as vítimas.

A única vez em que a polícia verificou as ameaças foi antes de uma apresentação artística em local próximo à residência do vice-primeiro-ministro, Jaroslaw Kaczynski. Agressores anunciaram que explodiriam uma bomba no local, mas nenhum artefato foi encontrado.

Liderada pelo presidente de ultradireita, Andrzej Duda, a Polônia abandonou em agosto a Convenção de Istambul, tratado europeu lança medidas para prevenir e combater a violência contra as mulheres. Varsóvia também apoia cidades que se dizem “zonas livres de LGBTs” enquanto analistas apontam para um grave recuo democrático no país.

De acordo com um levantamento da BBC, a Polônia registra cerca de mil abortos legais por ano. Grupos de ativistas, no entanto, apontam que o número de procedimentos realizados de forma ilegal gira entre 80 mil e 120 mil anualmente.

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