Ásia e Pacífico

Para ex-premiê da Malásia, muçulmanos teriam ‘direito’ de punir franceses

Afirmação ocorreu no Twitter, em referência a professor decapitado por charges do profeta Maomé, no último dia 16

O Twitter deletou a afirmação polêmica do ex-primeiro-ministro da Malásia, Mahathir bin Mohamad, menos de 10 horas depois da publicação. De acordo com a rede social, a mensagem viola as regras da comunidade.

Em um texto sobre o assassinato de um professor francês no dia 16, morto após mostrar charges do profeta Maomé em aula sobre liberdade expressão, Mahathir afirmou que muçulmanos “têm o direito” de matar franceses pelo histórico de massacres dos ocidentais ao longo da história.

A afirmação está em um texto publicado no blog pessoal do político malaio nesta quinta-feira (29).

Para ex-premiê da Malásia, muçulmanos teriam 'direito' de punir franceses
O ex-premiê da Malásia, Mahathir bin Mohamad, em pronunciamento na Chatam House em outubro de 2018 (Foto: Chatam House)

“Os muçulmanos têm o direito de ficar com raiva e matar milhões de franceses pelos massacres do passado”, escreveu ele. “Mas, em geral, os muçulmanos não aplicaram a lei do ‘olho por olho’. Em vez disso, os franceses deveriam ensinar o seu povo a respeitar os sentimentos dos outros”.

Mahatir deixou o cargo de primeiro-ministro da Malásia em março deste ano. Depois que o tweet foi deletado pela rede, o político repostou o conteúdo sem o trecho polêmico. O texto na íntegra, contudo, permanece em seu site.

Liberdade de expressão

“O assassinato não é um ato que eu, como muçulmano, aprovaria”, disse ele no mesmo documento. “Mas, embora acredite na liberdade expressão, não acho que inclua insultar outras pessoas”.

O professor Samuel Pety foi morto a tiros e depois decapitado após deixar a escola na comunidade francesa de Conflans Sainte-Honorine. Ao mostrar charges da divindade islâmica, Pety teria citado o o caso do jornal francês “Charlie Hebdo” e o massacre contra sua redação, em em janeiro de 2015.

O ataque ocorreu após a publicação de uma ilustração considerada ofensiva à religião muçulmana. Para os mais religiosos, qualquer representação do Profeta Maomé é uma blasfêmia.

Mahatir também se refere ao presidente francês, Emmanuel Macron, a quem chama de “não-civilizado”. “Ele é muito primitivo em culpar a religião do Islã e dos muçulmanos pelo assassinato do professor insultuoso”, afirmou o ex-premiê.

Macron não respondeu diretamente ao político malaio. No mesmo dia, o presidente francês emitiu diversas mensagens no Twitter sobre o ataque a faca que matou três pessoas na cidade francesa de Nice. O caso é investigado como um atentado terrorista.