Rússia está construindo maior centro educacional militar-patriótico do noroeste do país

Paralelamente ao crescimento da militarização no país após a invasão à Ucrânia, complexo quer ajudar a formar "uma nova geração de cidadãos leais"

Em meio a uma vertiginosa militarização da juventude russa, fenômeno que ocorre desde o início da invasão aos vizinhos ucranianos, Moscou anunciou a construção de um enorme complexo militar-patriótico de educação para jovens, disse a mídia pró-Kremlin. As informações são do jornal independente The Moscow Times.

Em obras na região de Vologda, o centro de ensino Avangard deve inaugurar seu primeiro campo de treinamento em 2023. A projeção é que anualmente pelo menos 5 mil crianças e adolescentes passem por lá, de acordo com a agência de notícias Pobedarf.ru.

O local irá disponibilizar a estudantes do ensino médio e universitários práticas de tiro esportivo. Além do manejo de armas, poderão desenvolver habilidades de navegação, conhecimento em robótica e uso de drones, detalhou durante um conselho de professores nesta semana Oleg Kuvshinnikov, governador de Vologda.

Integrantes do movimento patriótico Exército da Juventude participam de exposição militar na cidade de Volgogrado, em 2018 (Foto: Mil.ru)

Segundo o político, o complexo, que deve ser o maior centro metodológico de preparação para o ingresso nas forças armadas do país do noroeste do país, seguirá instruções do presidente Vladimir Putin e contará com o apoio do Ministério da Defesa russo.

“Vamos preparar estudantes do ensino médio e universitários para o serviço militar, educação militar-patriótica e desenvolvimento físico”, disse Kuvshinnikov.

O Avangard integra uma política do Kremlin de oferecer educação militar-patriótica a cidades com população acima de 100 mil habitantes, explicou o ministro da Defesa, Sergei Shoigu em entrevista concedida em maio.

O objetivo, segundo ele, é criar “uma nova geração de cidadãos leais”. Para tanto, o país já conta com um Exército da Juventude, o “Yunarmia” – que está em franca expansão –, programação de televisão voltada para os jovens e leis educacionais que incluem ensino de patriotismo e história de guerra. 

Em meio a esse processo de militarização no governo Putin, pesquisas indicam a chamada “operação militar especial” não é popular entre os russos mais jovens, que têm menor propensão a apoiar a a invasão à Ucrânia do que as gerações mais velhas.

Desde o início da invasão, as autoridades em educação russas ampliaram a carga horária de ensino obrigatório de história patriótica para crianças de 7 anos. Além disso, nomearam conselheiros escolares “patrióticos” e fizeram um revisionismo histórico para levar aos estudantes do ensino médio um ponto de vista favorável ao governo sobre a Ucrânia.

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