Ásia e Pacífico

Da realeza a acadêmicos, arquivo chinês Zhenhua tem mais de 250 mil “fichados”

Perfis da Zhenhua Data estão armazenados como “operação de coleta de inteligência mundial”; China nega

O banco de dados chinês Zhenhua contém a ficha detalhada de mais de 250 mil pessoas, revelou o jornal britânico “The Telegraph” nessa segunda (14).

Chama a atenção a diversidade de personagens à disposição para o uso das agências de inteligência de Beijing. Todos têm seus perfis armazenados em um servidor chinês como parte de uma “grande operação de coleta de inteligência mundial”, revelou o The Telegraph.

As fichas incluem nomes, datas de nascimento, histórico educacional, biografias profissionais, condenações criminais e contas de mídias sociais.

A reportagem mostrou que milhares de pessoas dos Estados Unidos, Canadá, Índia, Japão e Reino Unido estão nos arquivos. É possível, no entanto, que o número seja ainda maior.

Da realeza a acadêmicos, arquivo chinês Zhenhua tem mais de 250 mil "fichados"
Dados do Zhenhua Data já estão indisponíveis na internet (Foto: Reprodução/Pexels)

Quem está no banco de dados?

Em outra reportagem, o The Telegraph apontou que toda a realeza britânica tem seu “perfil” no banco de dados Zhenhua. As fichas mais detalhadas são a da rainha Elizabeth, do príncipe Charles, os duques de Cambridge, William e Sussex, Harry, além da duquesa da Cornualha, Camilla Parker-Bowles, e a princesa Diana, morta em 1997.

Em algumas figuras, a lista detalha interesses pessoais, como no caso do príncipe Charles. Segundo o banco de dados, o sucessor da rainha Elizabeth é jogador de pólo, pintor, piloto de helicóptero e escritor infantil.

Em relação aos políticos, o banco Zhenhua reúne comentários a jornais, currículos e até mesmo tweets. O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, possui um perfil detalhado, assim como grande parte do seu gabinete.

Há menção de filhos, cônjuges, pais, parentes e amigos relacionados a figuras públicas. Além disso, o banco de dados Zhenhua guarda informações sobre navios de guerra britânicos e norte-americados. A reportagem identificou tweets com a localização das embarcações quando atracadas nos portos.

Em meio a intensa turbulência entre China e EUA, a maior parte do banco de dados sobre militares parece ser dedicada ao rastreamento de figuras norte-americanas, revelou a reportagem.

Tecnologia em evidência

O interesse central do banco de dados parece estar na área de tecnologia: a maioria dos especialistas citados trabalham com inteligência artificial, desenvolvimento de software e computação.

Pesquisadores em doenças infecciosas, microbiologia e imunologia também são destaque, junto do estudo da guerra nos países ocidentais. Nessas áreas, o Zhenhua possui informações sobre funcionários e ex-funcionários de empresas como AstraZeneca e Unilever.

Após o contato da reportagem, o site Zhenhua Data ficou indisponível na internet. Um porta-voz de Beijing não quis comentar a conexão entre o banco de dados e o governo chinês.

“A China não pediu e não pedirá que empresas ou indivíduos coletem ou forneçam dados armazenados em territórios de outros países para o governo chinês, instalando ‘backdoors’ ou violando as leis locais”, afirmou.