Oriente Médio

Restrições impostas por Israel levam a perda econômica bilionária na Cisjordânia

Perda econômica estimada é de US$ 57,7 bilhões, quase três vezes e meia o PIB de 2019 do território palestino ocupado

Os bloqueios, restrições e operações militares israelenses levaram a Cisjordânia a sofrer duas décadas de paralisação do desenvolvimento econômico e consequente avanço da pobreza. É o que aponta um relatório publicado na quarta-feira (24) pelo UNCTAD, o órgão de comércio e desenvolvimento da ONU (Organização das Nações Unidas).

A perda econômica estimada é de US$ 57,7 bilhões, quase três vezes e meia o PIB de 2019 do território palestino ocupado. Além disso, indicou que o custo mínimo para eliminar a pobreza na Cisjordânia aumentou seis vezes entre 1998 e 2007, de US$ 73 milhões para US$ 428 milhões.

“Estamos falando sobre a reprodução do desespero na Cisjordânia e em Gaza”, disse Richard Kozul-Wright, Diretor da Divisão de Estratégias de Globalização e Desenvolvimento da UNCTAD, pedindo que os territórios palestinos sejam reconectados em um “Estado de pleno direito” para reverter isso.

O relatório cobre o período após a eclosão da segunda Intifada Palestina em setembro de 2000. De acordo com o economista da UNCTAD Rami Alazzeh, a política de fechamento israelense era “multicamadas”. As estradas entre a Cisjordânia, Gaza, Israel e a fronteira com a Jordânia foram fechadas, e “em 2020 ainda veio o muro de separação que Israel começou a construir em 2003”. Além disso, 600 obstáculos na Cisjordânia, incluindo postos de controle e portões, permanecem no local.

Campo de Aida para refugiados, na Cisjordânia (Foto: Stephenie Hollyman/UN Photo)

O efeito imediato das restrições israelenses mais severas impostas à Cisjordânia foi uma queda drástica nos padrões de vida, que afetou principalmente os segmentos mais pobres da população. O relatório projetou que, sem os fechamentos, restrições e operações militares israelenses, a taxa de pobreza de 2004 na Cisjordânia teria sido de 12%, um terço dos atuais 35%. Em 2019, o PIB per capita da Cisjordânia teria sido 44% maior do que seu valor real, concluiu o relatório.

“É uma quantia substancial de dinheiro para uma economia pequena como esta”, afirmou Mahmoud Elkhafif, Coordenador de Assistência ao Povo Palestino da UNCTAD.

Na Cisjordânia, entre 2000 e 2002, as restrições e operações militares israelenses mais rígidas provocaram uma contração de um terço, de acordo com o relatório. Embora tenha havido um crescimento anual de 6,2% em sua economia desde 2007, o relatório apontou que a expansão foi volátil – variando de 13,1% em 2008 a 1,6% em 2019 – o que levou a um alto desemprego, oscilando em torno de 18% durante esse tempo.

Incapazes de garantir empregos, muitos palestinos procuraram emprego em Israel e em seus assentamentos, criando uma dependência prejudicial da economia regional da Cisjordânia em relação a Israel. No entanto, sem ela, a Cisjordânia teria quase atingido taxas de desemprego tão altas quanto a sitiada Faixa de Gaza, que atingiu uma média de 39,8% entre 2007 e 2019.

Mas o relatório apontou que, mesmo com o emprego em Israel, a economia regional da Cisjordânia não foi capaz de reduzir ou estabilizar sua taxa de desemprego desde 1999.

O relatório pede que todas as restrições de mobilidade sejam levantadas no território palestino ocupado, para reconectá-lo com Jerusalém Oriental e todas as cidades e vilas na Cisjordânia e Faixa de Gaza.

Também pede a capacitação dos setores público e privado palestinos para estabelecer e administrar negócios agrícolas, industriais, comerciais e de mineração na Área C, que compreende mais de 60% da área da Cisjordânia, onde os palestinos atualmente não têm permissão para operar negócios.

O documento reitera que, até o fim da ocupação, o desenvolvimento econômico palestino continuará sendo travado, e seu custo para a população continuará crescendo. Para criar “empregos decentes” é “fundamental superar os níveis de pobreza que vemos na Cisjordânia”, enfatizou o Kozul-Wright.

Conteúdo adaptado do material publicado originalmente em inglês pela ONU News