Oriente Médio

Explosão em frente a mesquita mata duas pessoas em Cabul, no Afeganistão

Autoria não foi assumida por nenhum grupo, embora o EI-K venha empreendendo ataques no país desde que os talibãs assumiram o poder

Uma explosão do lado de fora de uma mesquita em Cabul, capital do Afeganistão, matou duas pessoas e feriu outras duas no domingo. As informações são da Radio Free Europe.

Zabihullah Mujahid, porta-voz do Taleban, anunciou o atentado no Twitter. “A explosão de uma bomba abalou uma reunião de civis perto da entrada da Mesquita Eidgah, em Cabul, nesta tarde, infelizmente deixando vários civis mortos”, disse ele.

Posteriormente, Sayed Khosty, chefe do departamento de imprensa e relações públicas do Ministério do Interior afegão, confirmou duas mortes e mais dois feridos devido à explosão. As vítimas estavam na mesquita devido a uma cerimônia realizada em memória da mãe deles.

A autoria do ataque não foi assumida por nenhum grupo, embora o Estado Islâmico-Khorasan (EI-K), rival dos talibãs no Afeganistão, tenha empreendido seguidos ataques contra civis e oficiais do governo desde que os talibãs assumiram o governo, em 15 de agosto. No maior dos ataques, o EI-K matou 182 pessoas no aeroporto de Cabul, quando ainda ocorria o processo de retirada de tropas norte-americanas do país.

Imagem publicada por um cidadão de Cabul mostra as proximidades de onde ocorreu a explosão em uma mesquita (Foto: reprodução/Twitter)

Por que isso importa?

No Afeganistão, o EI-K tende a ser o principal opositor doméstico do Taleban. O grupo trata os talibãs como apóstatas, sob a acusação de que abandonaram a jihad por uma negociação diplomática. Isso tornaria válido o assassinatos de combatentes do Taleban, conforme a interpretação das leis islâmicas.

Militarmente, porém, a vantagem no Afeganistão é do Taleban, que fortaleceu seu arsenal durante e após a retirada de tropas estrangeiras do país e tende a agregar novos recrutas agora que governa o país. São cidadãos afegãos e mesmo estrangeiros que buscam proteção e meios para sobreviver.

O que distancia os dois grupos é a base ideológica. O Taleban é adepto de uma interpretação do Islã que defende a subserviência da mulher, proíbe muitas tecnologias e o entretenimento, aceitando apenas o conhecimento inspirado por Deus. Já o EI-K prega ideologia ultraconservadora do islamismo Sunita, apoiando a Sharia (lei islâmica) e castigos corporais. Acredita que o mundo deveria seguir os preceitos históricos do Islamismo.

No Brasil

Casos mostram que o país é um “porto seguro” para extremistas. Em dezembro de 2013, um levantamento do site The Brazil Business indicava a presença de ao menos sete organizações terroristas no Brasil: Al Qaeda, Jihad Media Battalion, Hezbollah, Hamas, Jihad Islâmica, Al-Gama’a Al-Islamiyya e Grupo Combatente Islâmico Marroquino.

Em 2001, uma investigação da revista VEJA mostrou que 20 membros terroristas de Al-Qaeda, Hamas e Hezbollah viviam no país, disseminando propaganda terrorista, coletando dinheiro, recrutando novos membros e planejando atos violentos.

Em 2016, duas semanas antes do início dos Jogos Olímpicos no Rio, a PF prendeu um grupo jihadista islâmico que planejava atentados semelhantes aos dos Jogos de Munique em 1972. Dez suspeitos de serem aliados ao Estado Islâmico foram presos e dois fugiram. Saiba mais.