Explosão perto de mesquita mata ao menos quatro civis no Afeganistão

As vítimas são pessoas que passavam pela região e fieis que deixavam o templo após as orações do dia

Uma explosão ocorrida em uma estrada de Cabul, no Afeganistão, perto de uma mesquita, matou ao menos quatro pessoas nesta sexta-feira (23). A tendência é a de que esse número aumente conforme cheguem novas atualizações, de acordo com a agência turca Anadolu.

As vítimas são essencialmente civis que passavam pelo local e fieis que deixavam a mesquita Wazir Akbar Khan após as orações do dia, segundo o porta-voz da polícia local Khalid Zadran. Logo após a explosão, as forças de segurança do Taleban bloquearam a região.

O Hospital de Emergências de Cabul divulgou informações na sequência do ocorrido e afirmou que recebeu 14 pessoas atingidas, sendo que quatro já chegaram mortas.

Em um primeiro momento, nenhum grupo extremista assumiu a autoria do ataque. Entretanto, o Estado Islâmico-Khorasan (EI-K) tem realizado seguidas ações no Afeganistão nos últimos meses, quase sempre usando bombas, a fim de maximizar o número de vítimas.

Cabul, a capital do Afeganistão, em foto de março de 2020 (Foto: Wikimedia Commons)
Por que isso importa?

Um relatório publicado no início de setembro pela ONG Human Rights Watch (HRW) afirmou que o Taleban, governante de fato do Afeganistão, tem sido ineficiente em sua obrigação de proteger a população local, especialmente algumas minorias xiitas, das ações violentas do EI-K.

O documento foca particularmente no caso dos hazaras, uma minoria xiita que foi perseguida pelos próprios talibãs durante a passagem anterior do grupo pelo poder, entre 1996 e 2001. Atualmente, embora tenham se aproximado dos radicais que governam o país, tornaram-se alvo frequente do EI-K.

De acordo com dados divulgados pela HRW, o EI-K assumiu a autoria de 13 ataques contra os hazaras desde 15 de agosto de 2021, quando o Taleban chegou ao governo, e pode ter sido responsável por ao menos outros três atentados não reivindicados. Setecentas pessoas morreram ou ficaram feridas nessas ações.

O descaso com a minoria xiita contraria uma das muitas promessas feitas pelo Taleban quando chegou ao poder. “Como governo responsável, somos encarregados de proteger todos os cidadãos do Afeganistão, especialmente as minorias religiosas do país”, disse em outubro de 2021 o porta-voz do Ministério do Interior Saeed Khosty.

A HRW cita o caso das explosões que atingiram a Escola Abdul Rahim Shahid de ensino médio, no bairro predominantemente hazara e xiita de Dasht-e-Barchi, em Cabul, no dia 19 de abril. Entre alunos, professores e funcionários, 20 pessoas foram mortas ou feridas na ação do EI-K. Uma segunda explosão ainda foi relatada no Centro Educacional Mumtaz, a alguns quilômetros de distância.

Além de cobrar uma mudança de postura do Taleban, a fim de melhor proteger as minorias atingidas pelo EI-K, o relatório reivindica uma ação global que pressione os governantes afegãos nesse sentido.

“Os governos envolvidos com o Taleban devem exigir uma melhor proteção das comunidades hazara e xiita e devem incentivar e apoiar mecanismos para fortalecer a responsabilidade por crimes cometidos no Afeganistão, inclusive contra as comunidades hazara e xiita”, diz a ONG.

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