Fim de campos de deslocados no Iraque pode deixar até 100 mil desabrigados

Para encerrar crise nos abrigos, Iraque ordenou a saída de 48 mil desalojados; medida piora situação, diz Acnur
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Pelo menos 100 mil pessoas correm o risco de ficar sem ter para onde ir após o fechamento de campos de deslocados internos no Iraque.

Sem aviso prévio, o governo do país já ordenou a saída de cerca de 48 mil pessoas, disse o porta-voz da Acnur (Agência das Nações Unidas para Refugiados), Babar Baloch, nesta sexta (13).

A decisão atinge os maiores campos do país em Bagdá, Kerbala, Divala, Suliemaniya, Anbar, Kirkuk e Ninewa, apontou a Reuters nesta quinta (12). Segundo o governo, um número maior de campos deve encerrar as atividades até o final do ano.

De acordo com a Acnur, as autoridades iraquianas queriam fechar as instalações, que já reúnem 250 mil deslocados em todo o país. Para isso, o governo prometeu 1,5 milhão de dinares (R$ 6 mil) às famílias para que sobrevivessem durante um ano.

Fechamento de campos de deslocados no Iraque pode deixar até 100 mil desalojados
Deslocados do Iraque e Síria esperam para entrar no campo de Kobane, na fronteira com o Iraque, após bombardeiros do Estado Islâmico em 2014 (Foto: UNHCR/D. Nahr)

Ainda assim, a medida gerou preocupação. Sem poder voltar para casa, agências humanitárias já alertaram sobre os riscos de propagação da Covid-19 e violência do Estado Islâmico aos desalojados.

Fuga da violência

O governo do Iraque disponibilizou os campos desde a tomada do Estado Islâmico de diversas cidades do país, em 2014. Vinda de cidades destruídas, a maior parte da população se deslocou para esses locais como forma de fugir do aumento da violência.

“Fechar os acampamentos antes que os residentes desejem ou consigam voltar para as suas casas não contribui em nada para acabar com a crise”, disse o secretário-geral do Conselho de Refugiados da Noruega, Jan Egeland.

“Pelo contrário, só mantém milhares de deslocados presos em um ciclo vicioso mais vulnerável que nunca”. As entidades internacionais já pediram ao governo iraquiano que reconsidere a ação.

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