ONU contesta sentença que impõe amputação de dedos de oito prisioneiros no Irã

Cada homem foi condenado a ter “quatro dedos da mão direita completamente cortados" sob acusação de roubo

O escritório de direitos humanos da ONU (ACNUDH) instou o governo do Irã a cancelar os planos de amputar os dedos de oito prisioneiros condenados por roubo, disse a porta-voz Ravina Shamdasani na quarta-feira (22).

Cada homem foi condenado a ter “quatro dedos da mão direita completamente cortados, de modo que apenas as palmas das mãos e os polegares fiquem”. O ACNUDH se diz profundamente preocupado com a iminência das amputações.

Vista de Teerã, capital do Irã (Foto: Ninara/Flickr)

Dos oito presos, sete foram identificados: Hadi Rostami, Mehdi Sharafian, Mehdi Shahivand, Morteza Jalili, Amir Shirmard, Ebrahim Rafiei, Yaghoub e Fazeli Koushki. O paradeiro de Rostami é desconhecido desde que ele foi transferido em 12 de junho. Os demais estão atualmente na Prisão Central da Grande Teerã.

“Todos eles provavelmente serão transferidos para a prisão de Evin, em Teerã, onde relatórios indicam que uma guilhotina de corte de dedos foi instalada recentemente e supostamente usada em 31 de maio para amputar os dedos de um outro prisioneiro”, disse Shamdasani.

Uma primeira tentativa de transferir os homens ocorreu em 11 de junho, mas foi interrompida devido à resistência de outros prisioneiros, acrescentou.

Casos anteriores

Organizações da sociedade civil iraniana relatam que pelo menos 237 pessoas, principalmente de segmentos mais pobres da sociedade, foram condenadas a amputações entre 1º de janeiro de 2000 e 24 de setembro de 2020. As sentenças foram executadas em pelo menos 129 casos.

“Pedimos ao Irã que revise urgentemente suas penalidades criminais para acabar com qualquer forma de punição corporal , incluindo amputações, açoitamento e apedrejamento, de acordo com suas obrigações sob a lei internacional de direitos humanos e consistente com as recomendações dos mecanismos de direitos humanos da ONU”, disse Shamdasani.

Ela lembrou que o país é parte do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, que proíbe a tortura ou outras penas cruéis, desumanas ou degradantes.

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