Protestos no Irã e ameaças de Trump aumentam pressão sobre regime islâmico

Crise econômica, repressão interna e tensões com Estados Unidos e Israel colocam Teerã sob crescente instabilidade política

O Irã enfrenta uma nova onda de instabilidade marcada por protestos populares em diversas cidades do país e pelo aumento da pressão externa por parte dos Estados Unidos e de Israel. As manifestações, que se intensificaram no fim de dezembro, expõem uma combinação de insatisfação social, crise econômica e tensão geopolítica. A análise é do The Conversation.

Nos últimos dias, milhares de manifestantes ocuparam as ruas de Teerã e de outros grandes centros urbanos exigindo a queda do regime. Segundo relatos, ao menos 20 pessoas morreram e cerca de mil foram presas durante as ações de repressão das forças de segurança. Washington e o Estado judeu manifestaram apoio público aos protestos.

Protestos em Teerã em janeiro de 2026 (Foto: WikiCommons)

A atual mobilização foi desencadeada pelo colapso da moeda iraniana e pelo aumento do custo de vida, mas especialistas apontam que as causas são mais profundas. Entre os principais fatores estão as imposições religiosas do regime, como o uso obrigatório do hijab, a corrupção e a má gestão econômica sob sanções internacionais, além do elevado investimento estatal em grupos armados aliados no Oriente Médio.

A crise hídrica também agrava o cenário. Autoridades iranianas afirmam que cerca de dois terços dos reservatórios do país estão vazios, reflexo de políticas centralizadas de gestão da água e de longos períodos de seca.

Inicialmente liderados por comerciantes tradicionais dos bazares, os protestos passaram a incorporar estudantes universitários e integrantes do movimento “Mulher, Vida e Liberdade”, que ganhou projeção internacional após a morte de Mahsa Amini, em 2022, sob custódia da polícia da moralidade.

Além da pressão interna, o Irã enfrenta um ambiente externo cada vez mais hostil. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu o governo iraniano contra a repressão aos manifestantes e afirmou que Washington está “pronto para agir”. Trump e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também ameaçaram novas ações militares caso Teerã retome atividades nucleares sensíveis ou amplie sua capacidade de mísseis.

Em junho do ano passado, Israel e Estados Unidos participaram de uma ofensiva contra instalações nucleares iranianas. Apesar das declarações oficiais de que o programa nuclear teria sido neutralizado, especialistas e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) questionam a extensão real dos danos, apontando que parte da infraestrutura pode ter sobrevivido aos ataques.

Mesmo diante da crescente impopularidade, o regime iraniano mantém um aparato repressivo robusto. O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) e a força paramilitar Basij continuam sendo pilares da sustentação do poder, com forte interesse na preservação do sistema político atual.

Internacionalmente, muitos iranianos defendem uma transição política e o retorno de Reza Pahlavi, filho do último xá, como figura de liderança de um eventual governo de transição. No entanto, o governo dos Estados Unidos demonstra cautela em relação a uma mudança de regime, temendo um processo instável e violento semelhante ao ocorrido após a Revolução de 1979.

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