Diplomacia

Rússia confirma retirada do Tratado ‘Open Skies’ e nega ‘recado’ a Biden

Moscou julgou desequilíbrio de propostas com países signatários após saída de Washington, em novembro

A Rússia selou a saída do Tratado de Céu Aberto (Open Skies, em inglês) nesta segunda-feira (18), confirmou a agência estatal Tass. O país deixa o tratado menos de dois meses após a desistência dos EUA, em 22 de novembro.

Questionada sobre o pacto, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou que a saída não deve ser interpretada como uma “mensagem” ao novo presidente dos EUA, Joe Biden.

“Fiquei surpresa ao ver a imprensa liberal lendo desta forma”, disse. “Não é uma análise séria. Mais que isso, é uma interpretação errada”, apontou, sem dar mais detalhes.

Rússia confirma retirada do  Tratado de Céu Aberto e nega 'recado' a Biden
Aviões MIG21, modelo fabricado pela União Soviética, realizam testes em território da Rússia em setembro de 2019 (Foto: Pixabay/Eugene)

A “interpretação” seria consequência de um apoio de Vladimir Putin a Donald Trump, que deixa o cargo nesta quarta (20). Assim como os líderes do Brasil, Jair Bolsonaro, e México, Andrés Manuel López Obrador, Putin foi um últimos a parabenizar Biden pela vitória nas eleições realizadas em novembro do ano passado.

No comunicado lançado no dia 15, a Rússia alega que a retirada tem a ver com o desequilíbrio deixado pelos EUA nos interesses dos países signatários. “A saída dos EUA alterou o equilíbrio de interesses e as propostas da Rússia para manter o acordo vivo foram rejeitadas pelos aliados de Washington“, diz o texto.

Decisão unilateral

Os EUA denunciaram supostas irregularidades e violações de Moscou por pelo menos seis meses antes de oficializar a saída do tratado. À época, o Kremlin condenou a decisão, a qual julgou como prejudicial à segurança do grupo.

“A saída era inevitável”, disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hua Chunying. “A razão direta por trás da decisão de Moscou é a retirada unilateral dos EUA, apesar da posição internacional”.

Em vigor desde 2002, o Tratado de Céu Aberto inclui 34 países aptos a realizar voos de observação e vigilância desarmados sobre os territórios uns dos outros.

O pacto, que prevê a transparência para coleta de dados sobre as forças e atividades militares, possibilitou mais de 1,5 mil voos.