As tensões entre Afeganistão e Paquistão voltaram ao centro do noticiário internacional após novos ataques aéreos paquistaneses contra alvos no território afegão. A crise coloca em risco um cessar-fogo frágil e amplia o temor de instabilidade em uma das regiões mais sensíveis da Ásia. As informações são da Reuters.
Segundo autoridades de Islamabad, a ofensiva teve como alvo integrantes do TTP (Tehreek-e-Taliban), ala paquistanesa do Taleban. Já organismos internacionais relataram mortes de civis, aumentando a pressão diplomática sobre ambos os governos.

O principal ponto de atrito é a acusação do Paquistão de que o governo talibã, que retomou o poder em Cabul em 2021, estaria permitindo que militantes usem o território afegão como base para ataques transfronteiriços.
Islamabad afirma que líderes e combatentes do TTP operam a partir do Afeganistão. O grupo, criado em 2007, intensificou ataques contra forças de segurança paquistanesas nos últimos anos, especialmente nas regiões próximas à fronteira.
Cabul nega as acusações e sustenta que não permite o uso de seu território para ações contra países vizinhos.
O que desencadeou os ataques recentes?
Autoridades paquistanesas afirmaram ter “provas” de que ataques recentes em solo paquistanês teriam sido coordenados a partir do Afeganistão. Entre eles, ações que resultaram na morte de membros das forças de segurança.
Os bombardeios reacendem o temor de uma escalada militar entre os dois países, que já protagonizaram confrontos fronteiriços nos últimos anos.
Qual é o poder militar de cada lado?
A disparidade militar é significativa. O Paquistão possui mais de 600 mil militares da ativa, centenas de aeronaves de combate e arsenal nuclear, segundo dados do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, da sigla em inglês).
O Taleban, por sua vez, conta com um efetivo estimado em cerca de 170 mil combatentes e equipamentos capturados após a retirada das forças internacionais, mas não dispõe de força aérea comparável à paquistanesa.
Existe risco de guerra?
Analistas avaliam que uma guerra convencional em larga escala é improvável no curto prazo, mas confrontos pontuais e ataques indiretos podem se intensificar. A instabilidade preocupa a comunidade internacional, especialmente pelo impacto no comércio regional, na segurança e na crise humanitária afegã.
A fronteira entre os dois países, marcada por disputas históricas e presença de grupos armados, continua sendo um dos pontos mais voláteis da Ásia.