Filha de Kim Jong-un vai assumir o poder? Congresso reforça rumores de sucessão

Aparições públicas de Kim Ju-ae, presença em eventos militares e simbolismo político reacendem debate sobre herdeira da dinastia do Monte Paektu

A sucessão na Coreia do Norte voltou ao centro das atenções após o recente congresso do Partido dos Trabalhadores, realizado em Pyongyang. Embora o encontro tenha sido marcado por discursos sobre fortalecimento nuclear e soberania nacional, a presença recorrente de Kim Jong-un ao lado da filha, Kim Ju-ae, ampliou as especulações sobre o futuro comando do regime. As informações são do The Guardian.

Analistas internacionais divergem sobre a possibilidade de Kim Ju-ae se tornar a próxima líder do país. Para parte dos especialistas, o líder norte-coreano estaria preparando a adolescente para representar a quarta geração da dinastia iniciada após a fundação do Estado, em 1948. Outros apontam que barreiras estruturais, como o caráter patriarcal do regime, ainda poderiam dificultar sua ascensão formal ao posto máximo do poder.

Kim Jong-un ao lado da filha, Kim Ju-ae (Foto divulgada pela agência de notícias estatal KCNA)
A linhagem do Monte Paektu

Um dos principais argumentos a favor da hipótese de sucessão envolve o conceito simbólico da linhagem do Monte Paektu, referência histórica e ideológica usada para legitimar a família Kim. Dentro dessa lógica, o critério fundamental para governar o país não seria o gênero, mas o pertencimento direto à dinastia.

A crescente exposição pública de Kim Ju-ae fortalece essa leitura. Desde sua primeira aparição em um teste de míssil intercontinental, em 2022, ela passou a acompanhar o pai em eventos estratégicos, como desfiles militares, inspeções a exercícios do exército, inaugurações de projetos habitacionais e até viagens diplomáticas.

Especialistas ouvidos por veículos internacionais, como o NK News e o The Diplomat, avaliam que a presença constante da jovem em atos ligados à defesa nacional não é meramente simbólica. No contexto político norte-coreano, a associação direta à segurança e à força militar é um elemento central para consolidar autoridade.

Patriarcado

Apesar dos sinais públicos, há dúvidas sobre como a elite militar e partidária reagiria a uma líder mulher. A cúpula do regime é majoritariamente formada por generais veteranos e dirigentes de longa trajetória no partido. Para alguns analistas, a tradição hierárquica e conservadora poderia representar um obstáculo à sucessão feminina.

Ainda assim, outros observadores defendem que, na Coreia do Norte, a lógica dinástica tende a prevalecer sobre considerações culturais de gênero. O regime já demonstrou, ao longo das décadas, que a manutenção da linhagem familiar é prioridade absoluta para a estabilidade interna.

Simbolismo político

Outro ponto analisado por especialistas é a construção da imagem pública de Kim Jong-un como líder e pai. A mídia estatal frequentemente destaca momentos de proximidade entre ele e a filha, reforçando uma narrativa de continuidade e proteção da nação.

Em aparições recentes, pai e filha usaram roupas semelhantes durante desfiles militares em Pyongyang, gesto interpretado como sinal de alinhamento simbólico. No imaginário político norte-coreano, elementos visuais e protocolares costumam carregar mensagens estratégicas cuidadosamente calculadas.

O que esperar

Até o momento, não há anúncio oficial confirmando Kim Ju-ae como herdeira. A Coreia do Norte tradicionalmente evita formalizar processos sucessórios até que considere o momento politicamente adequado.

Enquanto isso, o debate sobre a sucessão na Coreia do Norte permanece aberto. A combinação entre exposição pública, simbolismo dinástico e estratégia de comunicação mantém a filha de Kim Jong-un no centro das análises internacionais sobre o futuro do regime.

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