Rússia entra no jogo e se oferece para guardar urânio do Irã após colapso nas negociações

Após fracasso nas negociações com os EUA, Rússia reafirma papel em possível acordo nuclear e alerta para impactos globais da escalada no Golfo

A Rússia voltou a se colocar como peça-chave em um eventual acordo entre Irã e Estados Unidos ao reiterar a oferta para receber o urânio altamente enriquecido iraniano. A declaração do Kremlin ocorre após o colapso das negociações no fim de semana e em meio ao aumento das tensões no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta. As informações são do The Moscow Times.

O Kremlin afirmou nesta segunda-feira (13) que a proposta de Moscou para armazenar o urânio do Irã segue “válida”, apesar de ainda não ter sido implementada. A medida é vista como um possível mecanismo para reduzir riscos nucleares em um eventual acordo entre Teerã e Washington.

Registro da base nuclear de Natanz, Irã (Foto: Divulgação/Hamed Saber)

A declaração foi feita pelo porta-voz Dmitry Peskov, que destacou que a oferta já havia sido apresentada pelo presidente Vladimir Putin em conversas com autoridades dos Estados Unidos e de países do Oriente Médio.

A retomada do tema ocorre após o fracasso das negociações entre Irã e EUA no fim de semana, frustrando a expectativa de um acordo rápido para encerrar o conflito iniciado no final de fevereiro. A escalada já deixou milhares de mortos e provocou instabilidade nos mercados globais, especialmente no setor energético.

Além de reafirmar a proposta nuclear, o Kremlin também criticou a ameaça do presidente Donald Trump de bloquear o Estreito de Ormuz, corredor por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.

Segundo Peskov, a possível interrupção da rota marítima, que já enfrenta restrições desde o início dos ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã, tende a ampliar os efeitos negativos sobre a economia internacional.

A Rússia, que possui o maior arsenal nuclear do mundo, tenta se posicionar como mediadora em meio ao agravamento das tensões, ao mesmo tempo em que reforça sua influência geopolítica em um cenário de conflito prolongado.

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