China lucra com a Copa do Mundo mesmo sem disputar o torneio

Exportações de artigos esportivos, venda de camisas e exposição global de marcas impulsionam empresas chinesas durante a Copa do Mundo de 2026

A China não conseguiu vaga na Copa do Mundo de 2026, mas pode ter saído como uma das grandes vencedoras no campo econômico. Enquanto Espanha e Argentina se preparam para disputar a final do torneio, empresas chinesas registram aumento nas exportações, crescimento das vendas de produtos esportivos e maior visibilidade internacional de suas marcas. As informações são do South China Morning Post.

O mundial impulsionou a demanda global por uniformes, equipamentos esportivos e produtos licenciados, beneficiando diretamente fabricantes chineses. O país é responsável por mais de 40% das exportações mundiais do setor esportivo e continua ocupando posição estratégica na cadeia global de produção.

Lamine Yamal durante a partida entre França e Espanha pela Copa do Mundo de 2026 (Foto: WikiCommons)

Um dos exemplos é a empresa administrada por Zheng Ziyi, na província de Jiangxi. Segundo o empresário, os pedidos de camisas da Argentina dispararam após a classificação da equipe para a final. Nos últimos meses, as vendas cresceram cerca de 60%, impulsionadas principalmente pela procura por uniformes de jogadores populares.

Entre os atletas que mais movimentaram o mercado estão Lionel Messi, da Argentina, Cristiano Ronaldo, de Portugal, Kylian Mbappé, da França, e Erling Haaland, da Noruega. O aumento da demanda também ajudou a empresa a expandir sua presença na Europa, mercado que passou a aceitar preços mais elevados em comparação com regiões tradicionais como Sudeste Asiático e América Latina.

Exportações chinesas seguem em alta

Apesar dos desafios enfrentados pela economia doméstica, os números do comércio exterior continuam positivos. Dados da alfândega chinesa mostram que as exportações cresceram 27% em junho e 17,6% no acumulado do primeiro semestre de 2026.

No mesmo período, as exportações de artigos e equipamentos esportivos alcançaram 67,53 bilhões de yuans, o equivalente a cerca de US$ 9,97 bilhões. Autoridades chinesas atribuem parte desse resultado ao aumento da procura por produtos relacionados à Copa do Mundo.

Marcas chinesas ganham projeção internacional

Além da fabricação de uniformes utilizados por diversas seleções, empresas chinesas aproveitaram o torneio para fortalecer suas marcas globalmente. Gigantes como a Hisense e a Mengniu garantiram espaços publicitários nos estádios e ampliaram sua presença diante de milhões de espectadores ao redor do mundo.

O impacto foi percebido também no ambiente digital. Dados de buscas indicam que o interesse pela marca Mengniu aumentou mais de 5.000% em comparação ao mesmo período do ano anterior, refletindo a exposição conquistada durante a competição.

Especialistas apontam que a estratégia das empresas chinesas vai além da publicidade tradicional. Ao associar suas marcas a um evento de alcance global e forte apelo emocional, elas buscam consolidar presença em mercados internacionais e fortalecer o reconhecimento junto aos consumidores.

Desafio será manter o ritmo após o torneio

Com a Copa do Mundo chegando ao fim, a principal questão para o setor será sustentar o crescimento obtido durante o campeonato. A expectativa é de redução na procura por produtos relacionados ao futebol, mas empresários já começam a direcionar a produção para outras oportunidades sazonais.

No caso de Zheng Ziyi, o próximo foco será o mercado de produtos temáticos para o Halloween, uma estratégia para manter o fluxo de exportações e aproveitar novas tendências de consumo.

Tags: