Japão aprova reforma na sucessão imperial, mas mantém proibição de mulheres no trono

Nova legislação amplia o número de integrantes da família imperial e busca evitar uma crise sucessória, mas continua impedindo que a princesa Aiko herde o Trono do Crisântemo

A aprovação de uma reforma histórica nas regras da sucessão imperial japonesa não foi suficiente para abrir caminho para uma mulher no trono. O Parlamento do Japão aprovou uma legislação que amplia o número de integrantes da família imperial, mas preserva a exigência de que apenas homens possam herdar o Trono do Crisântemo. As informações são da BBC.

A medida foi aprovada pela Câmara dos Conselheiros, a câmara alta do Parlamento, após receber aval da Câmara dos Representantes na semana anterior. A nova legislação permite que descendentes masculinos de antigos ramos da família imperial sejam reintegrados à Casa Imperial e autoriza que mulheres mantenham seu status imperial após se casarem com cidadãos comuns.

O imperador Naruhito, a imperatriz Masako e a princesa Aiko participam de celebração oficial no Palácio Imperial do Japão. Embora seja filha única do atual imperador, Aiko continua impedida de herdar o Trono do Crisântemo (Foto: Casa Imperial do Japão/Wikimedia Commons)

A reforma busca enfrentar um problema que preocupa autoridades japonesas há anos: a redução constante do número de membros da família imperial e a escassez de herdeiros homens. Atualmente, o príncipe herdeiro Fumihito, irmão mais novo do imperador Naruhito, é o primeiro na linha de sucessão. Em seguida aparece seu filho, o príncipe Hisahito, de 19 anos. O terceiro e último integrante atualmente elegível é o príncipe Hitachi, tio do imperador, de 90 anos.

Sem mudanças nas regras, a sucessão poderia enfrentar dificuldades no futuro caso Hisahito não tenha descendentes homens. A reintegração de membros de antigos ramos imperiais é vista pelo governo como uma forma de ampliar o número de possíveis sucessores e garantir a continuidade da monarquia mais antiga do mundo, cuja linhagem, segundo a tradição japonesa, remonta a mais de 2.600 anos.

Apesar da reforma, a princesa Aiko, filha única do imperador Naruhito, continua impedida de assumir o trono. A legislação japonesa mantém a sucessão exclusivamente masculina, uma posição defendida por setores conservadores que consideram a regra fundamental para preservar a legitimidade histórica da instituição imperial.

A exclusão das mulheres da linha sucessória, entretanto, contrasta com a opinião da população. Pesquisas recentes mostram amplo apoio à possibilidade de uma mulher ocupar o trono. Levantamento realizado pelo jornal Mainichi Shimbun apontou que mais de 70% dos entrevistados apoiam uma imperatriz reinante. Outra pesquisa, conduzida pela Kyodo News, registrou apoio de 83% à mudança.

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