O cenário geopolítico de 2026 atingiu seu ponto de ebulição. Após meses de hostilidades entre EUA, Israel e Irã, o mundo observa não apenas a destruição de infraestruturas vitais, mas também o teste definitivo de um dos blocos mais comentados da última década: os BRICS, grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e outras nações. As informações constam de um artigo do The Diplomat.
Apesar da entrada do Irã no grupo (BRICS+) em 2024, o que se viu durante o conflito não foi uma resposta unificada, mas um silêncio fragmentado que revela os limites reais do poder de ação coletiva do bloco.

Estreito de Ormuz e Inflação
O conflito não ficou restrito às fronteiras do Golfo Pérsico. O fechamento do Estreito de Ormuz — artéria vital para o comércio de energia e fertilizantes — gerou um efeito dominó na economia global:
- Filipinas: Preço dos combustíveis dobrou.
- Índia: Êxodo urbano de trabalhadores devido à alta do GLP.
- EUA: Risco de recessão batendo na casa dos 50%.
- Segurança alimentar: Países do Golfo viram os preços de alimentos dispararem, dada a dependência de 80% das importações.
Por que o BRICS não mediou o conflito?
Embora o Irã tenha apelado diretamente à Índia (que detém a presidência do bloco em 2026) e à China, a resposta coletiva foi nula. Enquanto o Paquistão assumiu o papel de mediador, os membros do BRICS optaram por interesses nacionais individuais:
- Índia: Focou em negociações bilaterais para garantir a passagem de seus próprios navios.
- China e Rússia: Usaram seu poder de veto no Conselho de Segurança da ONU para barrar resoluções ocidentais, mas sem propor uma alternativa de paz liderada pelo bloco.
- Brasil: Manteve o foco na agenda ambiental da COP30, distanciando-se do conflito militar direto.
“O BRICS funciona hoje mais como um ‘clube informal’ à semelhança do G7 do que como uma organização multilateral estruturada como a União Europeia ou a ONU”, diz o artigo.
O futuro do Sul Global em setembro de 2026
Com a cúpula dos líderes marcada para setembro na Índia, a pergunta que fica é: o BRICS ainda é uma alternativa real à ordem liberal do pós-guerra?
A percepção de que a ordem internacional liderada pelo Ocidente é tendenciosa continua forte, mas o BRICS 2026 prova que a “vontade de ser alternativa” esbarra na soberania absoluta de seus membros. O grupo é excelente para criticar o sistema financeiro global, mas ainda hesita em agir como o “policial” ou o “pacificador” do Sul Global.
O que esperar?
A atenção do mundo voltará para Nova Deli no segundo semestre. Se o grupo não conseguir resolver a estagnação econômica e a crise energética gerada pela guerra, as expectativas sobre os BRICS podem finalmente se tornar moderadas, consolidando-o apenas como um fórum de diálogo, e não de intervenção.