Dependência da Rússia da China em tecnologia sancionada chega a 90%, aponta reportagem

Dados indicam avanço da influência chinesa sobre Moscou, mesmo com esforços do Kremlin por autonomia tecnológica

A dependência da Rússia em relação à China para a importação de tecnologias sujeitas a sanções internacionais atingiu 90%, segundo reportagem publicada pela Bloomberg com base em fontes familiarizadas com estatísticas oficiais. O número representa um salto significativo em relação ao ano anterior e evidencia o aprofundamento dos laços econômicos entre os dois países.

O avanço ocorre apesar das tentativas do Kremlin de incentivar a substituição de importações e alcançar o que o presidente Vladimir Putin descreve como “soberania tecnológica”. Na prática, porém, as restrições impostas por países ocidentais, especialmente pela União Europeia (UE), reduziram drasticamente as alternativas de acesso da Rússia a tecnologias estrangeiras.

Lado a lado: o presidente russo, Vladimir Putin, e o líder chinês, Xi Jinping (Foto: WikiCommons)

Com isso, a China consolidou-se como principal fornecedora de itens considerados estratégicos, incluindo tecnologias de dupla utilização, que podem ter aplicações civis e militares, e até sistemas de inteligência geoespacial utilizados no contexto da guerra na Ucrânia.

A mudança no fluxo comercial evidencia como as sanções internacionais remodelaram a economia russa ao longo dos últimos anos, deslocando o eixo de dependência do Ocidente para o Oriente. Especialistas apontam que esse movimento amplia a influência de Beijing sobre Moscou, criando uma relação assimétrica.

Dados do Instituto Gaidar mostram que a China respondeu por 27% das exportações russas e por 36% das importações do país no último ano. Em contrapartida, a participação de Moscou nas exportações chinesas caiu para 2,7%, número significativamente inferior ao de outras economias relevantes.

Analistas destacam que, embora o Kremlin seja um parceiro estratégico, sua relevância econômica para a China permanece limitada. Ainda assim, a necessidade russa de acessar tecnologias e produtos industriais mantém a relação em expansão, mesmo diante de desafios recentes.

Em 2025, o comércio bilateral entre os países registrou queda de 6,5%, marcando a primeira retração desde o início da guerra. O recuo gerou preocupação no governo russo, que vê na parceria com a China um pilar essencial para sustentar sua economia em meio ao isolamento internacional.

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