Cuba entra em colapso energético e população vai às ruas após apagões de 22 horas

Apagões de até 22 horas por dia provocam protestos em Havana enquanto governo cubano admite escassez total de diesel e óleo combustível

Cuba vive uma das mais graves crises energéticas de sua história recente. O governo da ilha confirmou que o país está sem reservas de diesel e óleo combustível, situação que provocou apagões prolongados, colapso em serviços públicos e protestos nas ruas de Havana. As informações são do The Independent.

A declaração foi feita pelo ministro de Energia e Minas de Cuba, Vicente de la O Levy, em entrevista à mídia estatal. Segundo ele, a rede elétrica nacional está em estado “crítico” e o país depende apenas da produção limitada de gás extraído internamente.

“Não temos absolutamente nenhum combustível, nem diesel”, afirmou o ministro.

Imagem noturna de uma rua em Havana (Foto: WikiCommons)

A crise se intensificou após novas medidas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que endureceu o bloqueio econômico contra Cuba durante seu segundo mandato. Além das restrições, Washington ameaçou aplicar tarifas a países que exportarem combustível para a ilha caribenha.

Apagões em Cuba chegam a 22 horas por dia

Moradores de Havana relatam cortes de energia que chegam a durar entre 20 e 22 horas diárias. Em alguns bairros, famílias ficaram mais de 40 horas consecutivas sem eletricidade.

A situação desencadeou protestos em diferentes regiões da capital cubana. Centenas de pessoas bloquearam ruas, incendiaram montes de lixo e protestaram contra os frequentes apagões.

Durante as manifestações, moradores gritavam frases como “Acendam as luzes!” e “O povo unido jamais será vencido”.

Além da falta de energia, a crise já afeta diretamente o armazenamento de alimentos, o abastecimento de água e o funcionamento de hospitais e outros serviços essenciais.

Moradores relatam impacto da crise energética

Um dos manifestantes, Rodolfo Alonso, afirmou que idosos estão entre os mais afetados pelos cortes prolongados de energia.

“Começamos a bater panelas para ver se conseguíamos pelo menos três horas de eletricidade. É tudo o que queremos”, disse.

Segundo autoridades cubanas, o país também enfrenta dificuldades para importar combustível após a redução das remessas internacionais. Nem México nem Venezuela, historicamente importantes fornecedores de petróleo para Cuba, enviaram novos carregamentos desde o endurecimento das medidas americanas e  após a prisão do então presidente Nicolás Maduro em operação militar de Washington.

Apenas um navio russo, o Anatoly Kolodkin, entregou petróleo bruto à ilha desde dezembro, garantindo um alívio temporário em abril.

ONU critica bloqueio dos EUA contra Cuba

Na semana passada, a Organização das Nações Unidas classificou como ilegal o bloqueio de combustível imposto pelos Estados Unidos, afirmando que as medidas prejudicam direitos básicos da população cubana.

Segundo a ONU, as restrições afetam diretamente áreas como alimentação, saúde, educação, água e saneamento.

Especialistas apontam que a crise energética cubana também expõe a dependência histórica do país de importações de petróleo e a fragilidade de sua infraestrutura elétrica, agravada por anos de dificuldades econômicas e sanções internacionais.

Tags: