Mulheres proibidas de jogar pelo Taleban voltam aos gramados do críquete mundial

Equipe formada por jogadoras afegãs exiladas fará turnê pela Inglaterra e acompanhará a final da Copa do Mundo Feminina de T20

A seleção feminina de refugiadas do Afeganistão voltará aos holofotes do críquete internacional em 2026, após anos de exclusão provocada pela retomada do poder pelo Taleban. O grupo, formado por atletas que deixaram o país depois de serem proibidas de praticar esportes, fará uma turnê pela Inglaterra em junho, em um movimento considerado histórico para o esporte feminino. As informações são da Al Jazeera.

A iniciativa foi anunciada pela Federação Inglesa e Galesa de Críquete (ECB, da sigla em inglês), que classificou a turnê como um marco cultural e esportivo. As partidas acontecerão a partir de 22 de junho e incluirão jogos no formato Twenty20, treinamentos especiais e participação na final da Copa do Mundo Feminina de T20, marcada para 5 de julho, no tradicional estádio Lord’s, em Londres.

Imagem gerada por IA

As jogadoras que integrarão a equipe eram vinculadas à Federação Afegã de Críquete antes da volta do Taleban ao comando do país, em 2021. Desde então, mulheres foram progressivamente excluídas da vida pública no Afeganistão, incluindo o esporte profissional.

Grande parte das atletas se estabeleceu na Austrália, onde continuaram atuando em competições locais, mas sem reconhecimento oficial do Conselho Internacional de Críquete (ICC, da sigla em inglês). O regulamento da entidade prevê que países membros apoiem seleções femininas e masculinas, o que gerou pressão internacional sobre a situação do Afeganistão.

Nos últimos anos, as jogadoras passaram a pedir que fossem reconhecidas oficialmente como uma equipe de refugiadas, permitindo o retorno ao cenário internacional.

A retomada ganhou força com apoio da empresa It’s Game On, cofundada pela ex-jogadora australiana Mel Jones. Segundo ela, as atletas “demonstraram coragem e comprometimento extraordinários com o esporte, apesar de tudo o que lhes foi tirado”.

O ECB afirmou que a turnê também representa uma defesa da inclusão e da igualdade no esporte. Clare Connor, vice-diretora executiva da entidade, destacou que o críquete tem responsabilidade em proteger a participação feminina em nível global.

Misoginia

Desde o colapso do governo afegão, a repressão contra mulheres e meninas tem sido marca do Taleban. Elas não podem estudar, trabalhar ou sair de casa desacompanhadas de um homem. A perda do salário por parte de muitas mulheres que sustentavam suas casas tem contribuído para o empobrecimento da população afegã. E foram relatados casos de solteiras ou viúvas forçadas a se casar com combatentes.

Em 2023, os radicais proibiram inclusive o trabalho das mulheres afegãs em organizações não governamentais e na ONU (Organização das Nações Unidas), o que levou muitas dessas entidades a suspenderem a ajuda humanitária que ofereciam à população do Afeganistão, uma das mais necessitadas de tal suporte em todo o mundo.

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