Jornal israelense acusa Netanyahu de prolongar guerras em Gaza e no Líbano por interesses políticos

Editorial do Haaretz afirma que premiê israelense intensifica conflitos após fracasso da guerra contra o Irã e alerta para escalada militar na região

O jornal israelense Haaretz publicou nesta sexta-feira (29) um editorial acusando o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de prolongar os conflitos em Gaza e no Líbano para atender a interesses políticos e pessoais. O texto afirma que o governo israelense estaria ampliando operações militares mesmo após acordos de cessar-fogo e diante do desgaste internacional causado pelas guerras na região. As informações são da Anadolu.

Segundo o editorial, Netanyahu estaria reacendendo os confrontos após o que o jornal classificou como o fracasso da ofensiva contra o Irã e sua interrupção pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O Haaretz afirma que o governo israelense utiliza justificativas de segurança para expandir operações militares tanto na Faixa de Gaza quanto no sul do Líbano.

O jornal destacou os recentes acontecimentos no território libanês, onde moradores foram orientados a deixar áreas ao sul do rio Zahrani após o Exército israelense declarar a região como zona de combate. O editorial também cita assassinatos ocorridos em Beirute como sinais de uma possível escalada capaz de arrastar o Hezbollah para um conflito em larga escala contra Israel.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, na sede da ONU em Nova York EUA (Foto: UN Photo/Cia Pak)

Na Faixa de Gaza, o Haaretz criticou a decisão anunciada por Netanyahu de ampliar o controle militar israelense sobre o território. De acordo com o texto, Israel pretende expandir sua presença de 60% para 70% da área de Gaza, intensificando operações sob o argumento de combater o Hamas.

“É impossível não suspeitar que o derramamento de sangue visa atingir os objetivos políticos e pessoais do primeiro-ministro”, escreveu o jornal israelense.

O editorial também afirmou que Israel não respeitou plenamente os acordos de cessar-fogo firmados para Gaza e o Líbano. Segundo o Haaretz, as ações militares continuam sendo ampliadas, mesmo após mais de dois anos de guerra e milhares de mortes na região.

O jornal classificou a guerra no Líbano como “fútil e sem sentido” e afirmou que não há clareza sobre os objetivos da ofensiva, nem sobre quanto tempo ela poderá durar. O veículo defendeu a retirada das tropas israelenses do território libanês e a retomada de negociações diplomáticas.

Em relação à Faixa de Gaza, o Haaretz alertou que novos ciclos de ataques não trarão resultados diferentes após anos de destruição. O jornal também pediu apoio internacional à proposta chamada “Conselho de Paz”, defendida por Donald Trump, como alternativa para conter a escalada militar.

O cessar-fogo em Gaza entrou em vigor em outubro de 2025, após dois anos de guerra que, segundo autoridades palestinas, deixaram mais de 72 mil mortos e 172 mil feridos. Desde então, o Gabinete de Imprensa do Governo de Gaza afirma que mais de 900 palestinos morreram em ações atribuídas a violações israelenses do acordo.

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